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Parto normal ou cesárea: conheça as diferenças

Dr. Sylvio Renan

2030-12-20T18:04:00

30/12/2018 04h00

Um novo ano está chegando e muitas famílias receberão novos bebês. Seja para os pais de primeira viagem ou até para os mais experientes, é sempre importante sempre salientar as diferenças entre o parto normal e a cesariana, pois os impactos dessa escolha pode afetar a saúde da mãe e o desenvolvimento do filho.

Atualmente, o Brasil é o país que possui o mais alto índice de cesarianas, chegando a 88% pela rede privada e 46% na rede pública, enquanto o recomendando pela OMS (Organização Mundial de Saúde) é para que seja feita em apenas 15% dos casos.

Em minha opinião, estabeleceu-se no Brasil uma cultura de que o parto cesáreo é mais fácil, melhor para a mãe e para o bebê, além de ser feito com anestesia – o que anima muitas mulheres.

Mas na verdade a cesárea deve ser indicada em ocasiões excepcionais, quando há problemas maternos, como quadril estreito, hipertensão e doenças maternas graves – como cardiopatia, doença renal crônica, entre outas –, e também para o feto – posição pélvica, circular de cordão, sofrimento fetal, entre outros motivos. Ou seja, somente quando há risco efetivo para um ou para ambos.

Já o parto normal, geralmente ocorre quando o feto está plenamente maduro, no que se refere à formação completa dos pulmões, fígado, intestinos, sistema nervoso, sistema imunológico, pele e todo o organismo. É essa maturidade que irá permitir ao bebê enfrentar as dificuldades que encontrará no ambiente externo.

O tempo médio de um parto normal é de 6 a 12 horas – mas atualmente, pelo uso de medicamentos que diminuem o tempo de dilatação do colo do útero, consegue-se uma redução do tempo do trabalho de parto, sem risco de prejuízo para a criança. Os riscos de infecção hospitalar são menores quando esse procedimento é realizado, já que a cesárea é uma cirurgia e, por este motivo, expõe as partes internas da mulher. A cesárea tem duração média de 20 a 40 minutos.

A recuperação do parto normal também é, sem dúvida, melhor para a mãe, que poderá voltar a se locomover horas depois e retomar a rotina rapidamente. Além disso, o contato entre mãe e filho é maior, pois se estabelece neste momento o vínculo maternal.

Os recém-nascidos neste tipo de parto tem melhor desenvolvimento motor, respiratório e cerebral, inclusive em relação à memória, que é a proteína UCP2, fundamental para o desenvolvimento do cérebro, tem ação melhor no desenvolvimento dos neurônios em bebês nascidos de parto normal que nos de cesárea.

Quanto ao parto "humanizado" que tanto se fal,a devem-se tomar algumas precauções para garantir a saúde da mãe e do bebê, como a presença de médicos, de outros profissionais da saúde e até mesmo de logística de transporte para hospital, em casos de necessidade.

Em minha experiência de mais de 40 anos, acho louvável o trabalho dos movimentos de mães que desejam realizar o parto normal para promover o que há de melhor para a saúde delas e de seus filhos, além de estimular o poder de escolha, sem interferências de profissionais ou planos de saúde.

 

Até a próxima,
Dr. Sylvio Renan

Sobre o autor

Dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros é autor do livro "Seu bebê em perguntas e respostas - Do nascimento aos 12 meses" e do livro “Pediatria Hoje”|Formado pela Faculdade de Medicina do ABC. Especializações e títulos pela Unifesp/EPM, Sociedade Brasileira de Pediatria e General Pediatric Service da University of California - Los Angeles (Ucla). Atuou por quase 30 anos no Pronto Socorro Infantil Sabará e foi diretor técnico do Hospital São Leopoldo, cargo que deixou para se dedicar ao seu consultório, a MBA Pediatria, e à literatura médica para leigos.

Sobre o blog

O objetivo deste blog é fornecer informações básicas relacionadas à área da pediatria. São abordados, de forma didática, temas que permeiam o universo da saúde da criança, como primeiros cuidados, doenças mais comuns, vacinação e alimentação. Desta forma, não visa receitar qualquer conduta médica, mas sim proporcionar conhecimento para que os visitantes tenham mais autonomia na escolha de um pediatra para seus filhos.