Blog do Pediatra

A pediatria nos últimos 40 anos
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Dr. Sylvio Renan

Foto por: Mary Efflandt Site: maryefflandtphotography.com

Foto por: Mary Efflandt Site: maryefflandtphotography.com

Após 40 anos de atuação na pediatria, sinto-me à vontade para descrever a evolução desta especialidade, graças ao desenvolvimento da medicina e da sociedade como um todo. Com o advento das novas tecnologias da saúde e da informação, não apenas os recursos diagnósticos e de tratamentos trouxeram novas oportunidades na condução de doenças antes sem cura ou de difícil manejo, como acresceram facilidades de acesso a informações e métodos de interação para pais e cuidadores, com os profissionais e com comunidades afins.

Há quatro décadas, o médico pediatra atuava como um clínico geral de crianças, diagnosticando e tratando praticamente todos os agravos, como doenças oncológicas, reumáticas, neurológicas, entre outras.

Com o desenvolvimento das subespecialidades, focadas no tratamento mais específico de doenças infantis, o atendimento do pediatra geral evoluiu no sentido da puericultura propriamente dita, fortalecendo outros laços dentro da clínica preventiva e de tratamentos gerais, passando a exercer um papel mais importante nos cuidados com as crianças e na orientação de pais e cuidadores, visando a formação de adultos saudáveis, dignos  e com qualidade de vida.

Apenas para exemplificar, temos como base as questões de hábitos nutricionais e de atividades físicas que visam conter o avanço da obesidade e doenças cardiovasculares.

Retornando ao advento tecnológico no tratamento médico, em que pudemos promover a diminuição sensível da morbimortalidade dos pequenos, podemos citar como exemplo a oncologia infantil, em que no passado o diagnóstico era tardio e o tratamento era basicamente restrito a sedativos e analgésicos paliativos, sem medicamentos efetivos que pudessem trazer a cura para os pacientes.

Apesar do conhecimento ampliado, diagnósticos precoces e acesso a tratamentos efetivos para diversas doenças graves, a maior evolução ocorreu no setor de imunizações, com a descoberta de métodos de preparação de antígenos protetores contra muitas doenças graves,  e comuns naquele tempo: poliomielite, tétano, tifo, varicela, sarampo, rubéola, meningites pneumocócicas, tuberculosas, meningocócicas, entre outras.

No que tange a informação dos pais, passamos da demorada consulta a livros e revistas para a quase imediata internet com seu universo praticamente inesgotável, o que sem dúvida abriu horizontes importantes para todos, não apenas para aquisição de conhecimento, como para a troca de experiências. Podemos dizer que a internet empoderou pais e cuidadores de forma positiva, ao mesmo tempo abrindo um mundo de dúvidas em que aumenta a importância da figura do médico, que não pode ser descartada para o correto diagnóstico e tratamento da criança.

A tecnologia, através de seus aplicativos de comunicação, também diminuiu a distância entre médicos e pacientes, que, hoje, através de simples toques em uma tecla, conseguem enviar fotos e vídeos para sanar dúvidas rápidas, outrora somente possíveis presencialmente no consultório. É, sem dúvida, um facilitador para ambos, mas que também abre oportunidades de análise sobre o bom uso destes recursos para o bem estar de todos os envolvidos.

Neste admirável mundo novo que vislumbro nos últimos 40 anos da pediatria, em que alguns de meus pacientes de ontem agora são pais e seus filhos meus pacientes, e no qual tenho clara a mudança de relacionamento e prática que tinha com seus pais e agora com eles e seus filhos, nos cabe imaginar como será a pediatria daqui a 40 anos.

 

Dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros – CRM SP-24699
Autor dos livros ''Seu bebê em perguntas e respostas – Do nascimento aos 12 meses'' e “Pediatria Hoje”Formado pela Faculdade de Medicina do ABC | Especializações e títulos pela Unifesp/EPM, Sociedade Brasileira de Pediatria e General Pediatric Service da University of California – Los Angeles (Ucla) | Atuou por quase 30 anos no Pronto Socorro Infantil Sabará e foi diretor técnico do Hospital São Leopoldo, cargo que deixou para se dedicar ao seu consultório e à literatura médica para leigos.


Campanha Nacional de Multivacinação para crianças e adolescentes
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Dr. Sylvio Renan

Vaccination protection influenza

Anunciada na última terça-feira (13/9) pelo Ministério da Saúde, a “Campanha Nacional de Multivacinação” será realizada em todo território nacional e estará voltada para menores de cinco anos, para crianças de nove anos e adolescentes dos 10 a 15 anos incompletos – incluindo a imunização contra HPV para as meninas. O diaD” da mobilização será no sábado, 24 de setembro, mas a campanha se inicia já na próxima segunda-feira (19) e vai até 30 de setembro.

Segundo o Ministério da Saúde, os adolescentes foram incluídos porque esse grupo é um dos que apresenta maior resistência à vacinação. Normalmente, muito pais também não veem a necessidade em imunizar os filhos nesta faixa etária.
Na MBA Pediatria sempre alertamos para a importância da imunização em todas as faixas etárias, do recém-nascido aos adolescentes, como uma das principais formas de prevenção de inúmeras doenças. Aliás, entendemos que as atitudes preventivas devem ser uma prática inclusive de jovens adultos, que ainda estão em pleno desenvolvimento até os 21 anos.

A Campanha de Multivacinação pretende imunizar quem não tomou alguma dose prevista nas consultas ao pediatra ou ainda que tenham escapado de alguma campanha promovida pela pasta.
Manter controladas e erradicadas diversas doenças só será possível através do cuidado e atenção de pais e cuidadores em levar seus pequenos e jovens à vacinação. Por isso, o slogan da Campanha deste ano é “Todo mundo unido, fica mais protegido”.

Reforçando o apelo e, conforme nota emitida pelo Ministério da Saúde, em janeiro deste ano foi divulgada a alteração no Calendário Nacional de Vacinação de quatro vacinas: poliomielite, HPV, meningocócica C (conjugada) e pneumocócica 10 valente.

Confira a tabela completa das vacinas disponibilizadas na Campanha Nacional de Multivacinação Aqui.


Pais, filhos e a internet
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Dr. Sylvio Renan

O uso das tecnologias no dia-a-dia de crianças e adolescentes 

O uso das tecnologias no dia-a-dia de crianças e adolescentes 

Geralmente, a rotina de uma família é: acordar os filhos, levá-los ao colégio, seguir para o trabalho, buscar as crianças e voltar para casa. Teoricamente, nesta “última” fase do dia, crianças e adolescentes brincam com os pais, fazem as lições de casa, tomam banho, jantam e, então, hora de dormir, certo? Bom, para algumas famílias este cotidiano mudou um pouco nos últimos anos.

Cada vez mais, é comum smartphones e tablets como acessório particular da garotada, o que faz com que o roteiro narrado acima tenha se modificado, pelo menos para a grande maioria. E não é pra menos: no Brasil, 50% dos lares têm acesso à internet e 168 milhões utilizam smartphones.

Na hora do jantar, da lição de casa e de dormir estes aparelhos estão sempre presentes, as crianças com seus joguinhos e os adolescentes nas redes sociais. Como conter ou controlar a ‘onda’ hi-tech dessa geração?

Sempre digo aos pais que visitam o consultório: “A criança vê, a criança faz”. Por exemplo, na hora do jantar os pais têm o costume de fazer as refeições “conectados” aos seus smartphones e, junto a isso, assistem à televisão. Naturalmente, seus filhos irão entender que é comum manter os eletrônicos por perto o tempo todo.

Claro que a escola já permite e até incentiva o celular como um meio de aprendizagem, com vídeos interativos, aulas, informações gerais e muito mais. O uso da tecnologia já é uma realidade em praticamente todo o universo escolar. Mas isso tem que ser dosado, tanto no que diz respeito à educação quanto como lazer, entretenimento.

Na hora de dormir, não recomendo o uso dos eletrônicos. A luminosidade e os sons, por exemplo, ativam certas áreas do cérebro e despertam ainda mais a criança e o adolescente, justamente quando eles precisam se aquietar e dormir. Além disso, a qualidade do sono pode ser comprometida, sem o devido descanso.

Para os pequenos ainda não alfabetizados, vale a pena ler histórias e colocar uma música mais calma, e aos maiores e adolescentes, incentivar a leitura. Isso contribui para uma noite mais tranquila, relaxante e garante maior disposição no dia seguinte.

Com os pequenos, estas orientações são mais fáceis de serem seguidas e aceitas. Mas, a partir de uma certa idade, quando começam a entrar na adolescência, nossos filhos têm comportamentos diferentes, sobretudo quanto aos horários, estudos e uso da internet, do celular. Mais para uns, menos para outros. Como já fomos adolescentes, sabemos que é assim que funciona, não é mesmo?

Por isso, sempre ressalto que, ao contrário do que muitos pensam, adolescentes também devem manter uma rotina de consulta com o pediatra, não só para acompanhar o desenvolvimento e crescimento físico, como também psicoemocional nesta fase da vida – que agora incluímos também o uso indiscriminado das tecnologias.

Neste sentido, o que recomendo em meu consultório é que os pais fiquem atentos ao que acontece com seus filhos, que tenham um bom diálogo com eles, que divirtam-se e aprendam on e off-line juntos. Negocie tarefas, horários, deveres, horas para o lazer, para os estudos e a quantidade de tempo para acessar a internet. Adolescentes não gostam de compartilhar seu mundo virtual e a individualidade deles deve ser respeitada, mas não esqueça: criança vê, criança faz. E com os adolescentes é exatamente a mesma coisa.


Dia Mundial da Amamentação: Aleitamento Materno
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Dr. Sylvio Renan

Hoje é comemorado o Dia Mundial da Amamentação, onde irei explicar porque algumas mães optam por não amamentar e outras passam pelo desmame precoce. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), em associação com a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o aleitamento materno é fundamental nos primeiros seis meses de vida das crianças. Nesta fase é necessário apenas o leite materno como alimento. Contudo, há algumas mães que não desejam amamentar, e outras não conseguem por falta de leite.

O que é recomendado em casos como estes e como nós pediatras devemos orientar as mães a lidarem com essas situações sem prejudicar a saúde dos bebês? Além de a amamentação proporcionar diversos benefícios para os bebês e para as mães, este é o alimento mais completo e equilibrado que existe no início da vida, e contribui para a boa formação do sistema imunológico de uma criança. Para as mães, por outro lado, é um modo de prevenção de doenças cardiovasculares e de alguns tipos de cânceres, e ainda colabora para uma perda de peso mais rápida.

O fato de algumas mães optarem por não amamentar ocorre por inúmeras razões, como não sentir vontade, medo de não fazer direito, dor, preservação dos seios, depressão pós-parto ou crença familiar, que é o que ocorre quando algum parente próximo relata uma má experiência ou julga o ato desnecessário e, desta forma, influencia a lactante.

Para a mulher, essa fase pode conter muitas dúvidas e inseguranças. Neste período, é importante o apoio do pai da criança e da família de ambos, que devem cercar a mãe de muito carinho, ajuda e incentivo para o aleitamento materno. Eu como pediatra tenho como função convencer as mamães, após o parto, que o leite materno é a forma mais natural, barata e nutritiva para oferecer ao seu bebê.

Caso a decisão de não amamentar já tenha sido tomada, nós profissionais devemos orientar a mãe de que forma poderá substituir o alimento, seja pelo leite industrializado ou fórmulas derivadas do mesmo, com retirada de nutrientes menos adequados ao bebê e introdução de substitutos de maior digestibilidade (absorção de nutrientes) e menos alergênicos.

O leite das ‘fórmulas’ ou mamadeiras, por ser o leite industrializado modificado, pode provocar entre outros quadros alergia à proteína do leite de origem animal (que não é a idêntica à do leita materno), provocando desde eczemas até quadros intensos de asma. Isto ocorre com mais frequência quanto mais cedo o bebê começa a ingerir o leite de mamadeiras. Por isso é preciso orientação correta e acompanhamento.

 

Desmame Precoce

Em paralelo a essa realidade, existem alguns problemas comuns que interrompem a amamentação contra a vontade da mãe, como a mastite (infecção das mamas), que leva ao desmame precoce devido à dor que provoca e ao risco de infecção ao bebê, e ainda quando os mamilos são mal formados, por falta da produção de leite, internações prolongadas da criança, volta da mãe ao trabalho ou depressão pós-parto.

Para os casos do desmame precoce, decorrente de algum problema com a mãe, existem vários estímulos para o leite não secar, como beber bastante líquido, manter uma alimentação saudável e fazer exercícios de massagem nos seios. Retirar o leite e insistir que o bebê pegue o peito também são estímulos, mesmo quando se tem apenas o colostro.

As mães devem respeitar os seis meses de amamentação indicados pela OMS, para proporcionar uma melhor saúde aos seus filhos. A Organização Mundial de Saúde preconiza o aleitamento materno do nascimento até o bebê completar seis meses. Depois deste período é possível oferecer outros alimentos, mas vale persistir no leite materno como única fonte de alimentação até o primeiro ano de idade. Em alguns casos, como em regiões mais pobres do planeta, a orientação é que o aleitamento materno seja estendido até os dois anos de idade.

 

Cartilha sobre amamentação e alimentação complementar

 shutterstock_166163945A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) disponibiliza em seu site uma cartilha sobre amamentação e alimentação saudáveis para os bebês, onde explica as vantagens, como amamentar e estimular uma maior produção de leite, como evitar o empedramento e como e quando deve ser feito o desmame, entre outras indicações importantes. Para ler na íntegra, acesse: http://bit.ly/2a5aY2f

 

 


Férias também é tempo para o check up nas crianças
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Dr. Sylvio Renan

FOTO BLOG PEDIATRA
Em julho, durante o recesso escolar, é importante que as crianças aproveitem o tempo livre para brincar, viajar e se divertir. Durante muitos anos de prática clínica, vejo que a atenção dos pais para o checkup infantil durante as férias tem crescido. E isso é bom: sinal de maior conscientização dos adultos para a atenção dos cuidados com a saúde dos filhos.

Agendar consultas médicas neste período tem algumas vantagens. Com mais tempo e a disponibilidade de horários das crianças e dos pais, uma avaliação mais detalhada pode exigir exames complementares, que com mais profundidade auxiliem um diagnóstico mais preciso. E, se for o caso, seguir algum tratamento mais específico.

Às vezes, é preciso recorrer a outros especialistas ou realizar exames laboratoriais e ainda remarcar o retorno ao pediatra. E tudo isso demanda tempo.

Por outro lado, casos corriqueiros, como intolerância a algum alimento, sinais na pele, dúvidas quanto ao crescimento ou ainda qualquer outra mudança física ou comportamental, poderão ser avaliados para eliminar certas preocupações naturais dos pais.

O tempo cada vez mais escasso e em um mundo que se torna mais dinâmico a cada dia, muitas vezes não permite olharmos com atenção às crianças. Por isso, vale a pena estabelecer uma agenda de cuidados médicos periódicos.

Lembre-se, serão apenas alguns dias durante as férias para planejar, ir ao médico e realizar todas as avaliações quando necessários. Enquanto que o maior tempo disponível será dedicado ao lazer e em aproveitar o free time com os pequenos, através de  brincadeiras, passeios e viagens, que são igualmente importantes para a saúde dos nossos filhos.


Pais e educadores devem saber como prevenir a anafilaxia na escola
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Dr. Sylvio Renan

BLOGDOPEDIATRA

A anafilaxia é uma grave reação alérgica que pode levar o indivíduo a óbito, ocasionado em decorrência da ingestão de alimentos, picadas de insetos, materiais produzidos com látex ou medicamentos. A reação pode ocorrer dentro de um minuto ou horas após a exposição a um alérgeno. São muitos os fatores que podem provocar tanto alergia como anafilaxia. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os quadros alérgicos vêm aumentando em todo o mundo e 25% dos casos de mortalidade por reação anafilática ocorrem na escola.

Além da atenção dos pais, educadores e funcionários das escolas também precisam saber identificar os sintomas, uma vez que é o local onde crianças e adolescentes passam a maior parte do dia.

Os principais sintomas da anafilaxia são urticárias na pele, inchaço, coceira ou vermelhidão, rouquidão súbita, edemas labiais, problemas gastrointestinais, respiratórios ou cardiovasculares [queda de pressão]. A reação alérgica aguda é subestimada por não ter nenhuma notificação obrigatória, o que torna difícil a validação de sua prevalência. Contudo, alguns artigos científicos apontam, em torno, de 4 a 50 casos por 100 mil pessoas.

O diagnóstico da anafilaxia é clínico. Por isso, os pais, assim como profissionais da escola, professores, coordenadores, diretores e responsáveis pelo transporte escolar devem ter o prévio conhecimento se a criança é alérgica, para contribuir com o rápido atendimento médico. É importante que as escolas tenham nas fichas dos alunos os registros de antecedentes de todas as doenças, assim como alergias. Ao mesmo tempo, ter a listagem das substâncias alérgenas. Relacionado a isso, vale lembrar que no ano passado a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou uma Resolução que obriga a informação na rotulagem em 17 principais grupos de alimentos e bebidas.

Anafilaxia na escola

Se a reação alérgica acontecer no ambiente escolar, os responsáveis devem transferir o paciente com urgência para o posto de atendimento médico mais próximo, para garantir melhores possibilidades de sobrevivência. Habitualmente, são utilizados corticosteróides e derivados de adrenalina, mas tais medicamentos devem ser aplicados por via parenteral (injeção ou cateter nas veias periféricas) e na dosagem correta, que varia de acordo com o peso da criança e/ou do adolescente.

O medicamento não pode ser aplicado por qualquer pessoa; apenas por profissionais habilitados/treinados. Caso a escola tenha uma equipe treinada para o atendimento emergencial e monitoração da situação até a chegada de socorro médico, essa então deverá prestar os primeiros socorros, de acordo com os protocolos.

Ter conhecimento da reação alérgica dos alunos e equipe devidamente treinada para situações emergenciais dentro das escolas é de extrema importância para prevenir tragédias, que podem ocorrer mesmo sob muita vigilância.

Para prevenção de casos graves de anafilaxia, a SBP produziu um “Guia Prático” para escolas e pais, que pode ser conferido aqui.

Anafilaxia X Asma

Sendo um capítulo à parte, as crianças asmáticas merecem atenção redobrada dos pais e profissionais da escola, pois nestes casos a reação pode ser ainda mais grave e fatal.

Especialistas em Alergia e Imunologia Pediátrica da SBP entregaram no início deste ano um abaixo-assinado ao Ministério da Saúde solicitando a disponibilização imediata da adrenalina injetável para pacientes com predisposição à anafilaxia e/ou asmáticos, que correm riscos de crises fatais fora do ambiente hospitalar. Saiba mais sobre a solicitação da SBP ao Ministério da Saúde aqui.

 


Abandonar acompanhamento pediátrico pode comprometer a saúde das crianças
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Dr. Sylvio Renan

Abandonar o pediatra

Abandonar o acompanhamento pediátrico pode comprometer a saúde das crianças


Visto como exagero por muitos, a cada ano a área pediátrica vê aumentar o caso de pais que abrem mão das consultas periódicas e retornam aos consultórios quando seus filhos não apresentam uma boa saúde e são diagnosticados com doenças que poderiam ser evitadas ou tratadas a tempo, caso tivessem acompanhamento regular.

Para muitos pais é normal levar seguidamente seus filhos ao pediatra, principalmente nos primeiros anos de vida. Depois, conforme a criança cresce, as consultas são mais espaçadas. No entanto, a pediatria parte do princípio de que o corpo da criança está em pleno desenvolvimento, em crescimento e que levar e manter os pequenos ou os adolescentes nas consultas ao pediatra é uma atitude preventiva.

Recomendo que o acompanhamento por um pediatra seja feito a partir do nascimento e até mesmo por volta dos 21 anos de idade, o que pode parecer estranho, mas é somente nessa idade que o crescimento finda. O ideal é que as consultas sejam mensais durante o primeiro ano, trimestrais, durante o segundo, semestrais, dos 3 aos 7 anos, e anuais daí por diante.

Em virtude do afastamento do consultório pediátrico, algumas das doenças diagnosticadas tardiamente como o diabetes, as doenças de tireoide, doenças endócrinas, e até a Doença Renal Crônica (DRC) poderiam ter sido diagnosticadas precocemente. Essas doenças podem ser bem controladas antes que ocorram sequelas e só nas consultas que podemos trabalhar na prevenção, como é o caso das vacinas, que tem indicação para cada fase da vida.

Vacinas
A vacinação é fundamental para a prevenção de inúmeras doenças, sobretudo na infância e na adolescência. A coqueluche, doença infecciosa aguda, transmitida pelas vias respiratórias e que compromete o aparelho respiratório, teve um grande aumento no número de casos nos últimos anos. Segundo alguns especialistas, muito em virtude do abandono da vacinação em crianças e adolescentes.

No mesmo rol das vacinas também está o HPV, vírus que atinge a pele e as mucosas e que pode causar verrugas ou lesões percursoras de câncer. A prevenção do HPV e do câncer do colo do útero inicia-se com uma vacina própria para as meninas, já a partir dos 11 anos de idade.

Infelizmente, há tabu e falta de conhecimento no que diz respeito às vacinas. O medo tem afastados os pais – e seus filhos – da imunização. Este é um fenômeno mundial, quase sempre baseado em falsas informações, e que prejudicam negativamente a proteção de crianças e adultos contra moléstias infecciosas.

Doenças que podem ser prevenidas com a vacinação:

  • Meningites;
  • Poliomielite;
  • Rotavirose;
  • Caxumba;
  • Sarampo;
  • Catapora;
  • Coqueluche;
  • Hepatites;
  • HPV;
  • Rubéola;
  • Febre Amarela;

Obesidade
Outra importante função da consulta ao pediatra é a capacidade que o médico tem em olhar aspectos afetivos e comportamentais, que geralmente afetam a saúde da criança. Caso da obesidade infantil, decorrente de maus hábitos alimentares que nós só constatamos no retorno dos pais, quando já estão assustados com o sobrepeso ou sintomas piores do quadro de obesidade.

Adolescentes devem ir ao pediatra
Acompanhar o desenvolvimento dos adolescentes também é de extrema importância. Nesta fase ocorre o crescimento físico exponencial e as alterações psicológicas, que devem ser monitoradas para garantir que a criança se torne um adulto forte, saudável e capaz.

Para os meninos, é indicado consulta anual e, em casos pontuais, como quando há comprometimento do sistema reprodutor, será encaminhado para um especialista. Para as meninas, além das visitas anuais ao pediatra, é necessário procurar um ginecologista, que informará a periodicidade das consultas.

Prevenção
De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), existe a tendência das crianças nascidas atualmente viverem até os 120 anos de idade! E isso só aumenta a responsabilidade da pediatria em buscar uma vida mais saudável, com orientações de dietas, atividades e atitudes que proporcionarão às crianças um alicerce que permitirá não só a longevidade, mas qualidade de vida no futuro.

 

Abraço e até mais,
Dr Sylvio Renan


Vacine seu filho. Por ele. E por todos nós!
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Dr. Sylvio Renan

Vacine seu filho. Por ele. E por todos nós!

Vacine seu filho, por ele e por todos nós!

Algumas famílias ainda insistem em não vacinar suas crianças. Argumentam que há riscos e efeitos colaterais das vacinas. Há quase duas décadas alguns pais ainda persistem nisso.

Mas, ao não vacinar seus filhos, os deixam desprotegidos, e mais suscetível às doenças. As vacinas impedem a disseminação de doenças, são eficazes e salvam milhares e milhares de vidas.

Recentemente, um estudo divulgado pelo Journal of American Medical Association (JAMA) deixou isso bem claro. Os pesquisadores analisaram surtos de sarampo e coqueluche e descobriram que as pessoas não vacinadas eram a maioria dentre as que adoeceram. E a maioria estavam no grupo em que as famílias tinham decidido em não vacinar.

Além do sarampo e da coqueluche, doenças aparentemente erradicadas, poliomielite e difteria ainda estão em circulação em diversos países, com  agravo do quadro. Atualmente a ocorrência de inúmeros casos da gripe influenza, o vírus H1N1, vitimou adultos e crianças.

Quando os pais optam por não vacinar, contribuem para que um germe evitável ​​por vacinação se espalhe por toda a comunidade, seja um bairro ou uma cidade inteira.

Também vivemos em um mundo globalizado, onde percorrer longas distâncias é relativamente fácil. E um país ou outro pode não ter erradicado determinadas doenças. Se não estivermos em dia com a vacinação, corremos riscos por estarmos desprotegidos.

Algumas pessoas por razões específicas, como problemas imunológicos, por exemplo, não podem ser vacinadas. Mas estas, seja um familiar ou um amigo, precisam de pessoas saudáveis (e vacinadas) em torno delas, para que prossigam seus tratamentos e cuidados sem riscos externos.

Todo tratamento médico, assim como toda vacina, pode ter efeitos colaterais, secundários e incide em riscos. Ainda assim, as vacinas são imprescindíveis, para nossos filhos, para nós e para a sociedade.

Para saber mais sobre o assunto e o estudo publicado no JAMA, acesse os links abaixo (em inglês):

A verdade inconveniente sobre recusar a vacinação

Journal of American Medical Association (JAMA)

#H1N1

 

 


Brasil antecipa prevenção contra H1N1
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Dr. Sylvio Renan

Brasil antecipa combate ao vírus H1N1

Brasil antecipa prevenção contra  H1N1

 

As ameaças à saúde estão em todos os ambientes, por isso é necessário se informar e manter-se sempre alerta aos perigos invisíveis de alguns vírus, como o H1N1, por exemplo, conhecido com vírus influenza (tipo A).

O Influenza A/H1N1 é a combinação de 3 outros vírus: o da gripe comum, da gripe aviária e o da gripe suína.

No Brasil, há alguns anos são registrados numerosos de casos da gripe associada ao H1N1 e, infelizmente, com óbitos.

Em abril, o Ministério da Saúde começará a distribuir a vacina, e estará disponível também nas clínicas particulares.

Sintomas:

Fique atento aos sintomas causados pelo vírus H1N1/influenza (tipo A):
– Febre alta, acima de 38º, 39º, de início repentino;
– Dor muscular, de cabeça, de garganta e nas articulações;
– Irritação nos olhos, tosse, coriza, cansaço e inapetência;
Em alguns casos, também podem ocorrer vômitos e diarreia.

Previna-se!

Siga algumas recomendações dos principais órgãos de saúde internacionais:
– Lave sempre bem as mãos;
– Não reutilize lencinhos higiênicos;
– Evite o contato com pessoas infectadas;
– Não compartilhe objetos pessoais;
– Procure seu médico se surgirem sintomas do H1N1.

 

 


Dia Mundial do Rim foca atenção na criança
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Dr. Sylvio Renan

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Dia Mundial do Rim

 

Em 10 de março é comemorado o #DiaMundialdoRim, que este ano tem como foco a criança. A mensagem: “Prevenção da doença renal começa na infância”, foi motivada pelo aumento de diagnósticos de doenças relacionadas às crianças e ao fato de que grande parte das doenças renais acometem milhares de pessoas em todo o mundo terem origem na infância.

A Draº Maria Cristina, nefrologista pediátrica da MBA Pediatria e da UNIFESP, alerta que embora todos os alvos de atenção estejam focados na epidemia de doenças relacionadas à dengue, não podemos descuidar da necessidade de atendimento de outras doenças, como a Doença Renal Crônica (DRC).

“Nas crianças, a partir do nascimento até os 4 anos de idade, a insuficiência renal tem como causa a hereditariedade, como doença policística dos rins, ou quando o bebê nasce com apenas um rim ou com rins com estruturas anormais. Dos 5 aos 14 anos, além dos aspectos hereditários, podem ocorrer infecções, síndrome nefrótica (conjunto de sintomas devido a perda de proteína na urina e água e sal com retenção no corpo), doenças sistêmicas (lúpus, por exemplo) e bloqueio de urina ou de refluxo (problemas do trato urinário e na bexiga). Dos 15 aos 19 anos a maior incidência ocorre devido a doenças nos glomérulos, a unidade funcional dos rins”, explica Draº Maria Cristina.

É importante lembrar que os danos nos rins são evitáveis e, por isso mesmo, é imprescindível campanhas educativas que consigam o diagnóstico precoce e os devidos tratamentos em tempo hábil, especialmente no caso das crianças, pois as doenças renais infantis, se não tratadas, evoluem na fase adulta para seu estágio final, com consequências que atrapalham a qualidade de vida e podem culminar na morte precoce.

Por se tratar de uma doença complexa, os aspectos econômicos também são consideráveis, sobretudo quando estamos presenciando uma retração das economias globais, sem uma expectativa promissora para o futuro.

Estatísticamente, 1 em cada 10 pessoas tem algum grau de DRC. O crescimento e a constância de casos de doenças renais tem aumentado os custos dos tratamentos, representando um fardo para os sistemas de saúde em todo o mundo, incluindo no Brasil.

A Draº Maria Cristina acrescenta que “somos uma sociedade miscigenada, com variada composição étnica, em grande parte formada por afrodescentes e índios – grupos de maior prevalência da doença, assim como mulheres e idosos. Como em todo mundo, os idosos estão compondo a maior parte da nossa pirâmide social, e as mulheres hoje têm importante papel no mercado de trabalho. Se pensarmos em previdência e em pessoas economicamente ativas, temos um problema para solucionar hoje e ainda mais no futuro. Daí pensar na prevenção desde a infância, até mesmo como modelo sustentável do ponto de vista econômico”, descreve a nefropediatra da MBA Pediatria.

Pesquisando mais sobre o assunto, encontrei e da National Kidney Foundation, organização norte-americana para a conscientização, prevenção e tratamento da doença renal, que revela que o tratamento da DRC custa mais que os de câncer colo, pulmão e mama juntos! Também lá nos Estados Unidos, o tratamento da DRC ultrapassa os US$ 48 bilhões por ano, consumindo 6,7% do orçamento total do sistema de saúde americano, para tratar menos de 1% da população coberta.

Na Austrália, a estimativa é de US $ 12 bilhões; na China, a economia vai perder US$ 558 bilhões na próxima década devido a mortalidade e incapacidade das pessoas com doenças cardiovasculares e renais crônicas; no nosso vizinho Uruguai, o custo anual de diálise é de cerca de US$ 23 milhões. Pior ainda o que acontece em muitos países africanos, onde há pouco ou nenhum acesso ao tratamento e as pessoas simplesmente morrem.

No grupo de países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, mais de 1 milhão de pessoas morrem todos os anos de insuficiência renal não tratada.

Ao escolher como tema global para o Dia Mundial do Rim de 2016 – “Prevenção da doença renal começa na infância” -, colocamos como prioridade a responsabilidade de todos os serviços públicos e particulares de enfatizar o alerta à população para a adoção de hábitos saudáveis desde a infância, para proteger o pequeno e o futuro adulto que ele será.

A Drº Maria Cristina Andrade, minha parceira em prol das crianças avisa: “A doença renal crônica em crianças traz consequências devastadoras para o crescimento e o desenvolvimento cerebral. Mas, se diagnosticada a tempo, é possível adotar medidas apropriadas para que a doença seja retardada”, concluí a nefropediatra.

Sobre a Doença Renal Crônica (DRC), lembre-se:
As DRCs não são curáveis e seus portadores podem precisar de cuidados para o resto de suas vidas;
Se não for detectada e tratada precocemente, a DRC pode evoluir para insuficiência renal, o que pode requerer diálise ou transplante no futuro;
As Doenças Renais Crônicas desencadeiam outros problemas de saúde, como doenças cardiovasculares (ataques cardíacos e derrames);
O tratamento da DRC é de alta complexidade, caro e trabalhoso;
A doença renal crônica precoce não tem sinais ou sintomas iniciais;

Principais cuidados com os pequenos e lembrete para os adultos:
Urine constantemente. Nada de segurar o xixi!
Evite alimentos com muito sódio (encontrados em produtos industrializados, embutidos, condimentados em geral) que sobrecarregam os rins, dificultando o seu funcionamento;
Os rins filtram os resíduos e fluidos extras do sangue e mantém o equilíbrio químico do corpo;
Os rins ajudam a controlar a pressão arterial e a manter os ossos saudáveis;

Lembre-se: Para todos os casos, a prevenção sempre é o melhor remédio. Cuide bem do seu pequeno.
Drº Sylvio Renan