Blog do Pediatra

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Pediatra avalia baixa estatura relacionada ao consumo de soja na infância
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Dr. Sylvio Renan

Um estudo canadense, publicado em junho/2017, no American Journal of Clinical Nutrition (¹), sugere que crianças que ingeriram diariamente “leites-fórmula” (compostos à base de soja, amêndoa ou arroz) tiveram menor crescimento em relação àquelas que consumiram a mesma quantidade de leite de vaca. E, apesar de o estudo ser inconclusivo, sinaliza a importância de análises futuras.

A pesquisa envolveu mais de 5 mil crianças canadenses, entre 2 e 6 anos de idade, com consumo diário de 250ml de “leite-fórmula” ou leite de vaca. O resultado apontou um crescimento menor de até 1,5 cm para os que consumiram alimentos à base de soja e derivados.

Há uma ‘luz no fim do túnel’, porque de certa forma o estudo aponta um caminho importante a ser pesquisado, embora seja preciso inserir outras análises no contexto, como hábitos alimentares e aspectos culturais, sociais, educacionais e econômicos para cada população avaliada.

Independentemente desta pesquisa e outras, que devem seguir a mesma linha, o desenvolvimento do bebê depende, entre outros fatores, de uma alimentação saudável e adequada a cada fase, que deve ter acompanhamento por um pediatra para avaliar as necessidades de cada criança.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), assim como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), recomenda a exclusividade do aleitamento materno até os 6 meses de idade e, se possível, até os 2 anos de vida, como forma de proteção ao recém-nascido.

A introdução de novos alimentos, como o leite de vaca, deve ocorrer gradativamente, exceto em casos específicos, por intolerância à lactose ou alergia ao leite de vaca, ou quando a mãe não pode amamentar, em caso de doenças que podem ser transmitidas pelo leite, por exemplo.

Os alimentos formulados à base de soja não são recomendados até os 3 anos de idade, por conta de componentes como hormônios vegetais e alumínio.

Saúde a partir da infância

Muitas doenças podem ser prevenidas a partir da infância, como é o caso da osteoporose. Segundo dados da OMS, no mundo, 13% a 18% das mulheres e 3% a 6% dos homens, acima de 50 anos, sofrem com a doença, que pode ser evitada se pais e responsáveis adotarem hábitos saudáveis, boa alimentação e atividade física para suas crianças.

É na infância que o indivíduo ganha estatura, fortifica seu esqueleto e adquire o máximo de massa óssea possível. A amamentação, o aumento do consumo de leite e derivados, a ingestão de vegetais de cor verde escuro, peixes e alimentos oleaginosos (como castanhas e nozes) são fontes potenciais de alto índice de cálcio, elemento essencial para a formação do esqueleto. Em paralelo, deve-se promover cada vez mais a prática de atividade física regular, que fortalecem não apenas os músculos, mas também os ossos.

Determinados tipos de alimentos, como os à base de soja, podem indicar um crescimento menor, mas é preciso observar outros fatores, como o sedentarismo, impulsionado pelo mundo do computador, dos celulares e da televisão, com consequente diminuição do brincar ao ar livre, tomar sol (fonte de vitamina D) e ter uma boa alimentação. Mais do que estatura e crescimento, o foco deve ser o desenvolvimento saudável do indivíduo como um todo, a partir da primeira infância.

(¹) Association between noncow milk beverage consumption and childhood height

 


Aprenda a manter seu bebê aquecido, seguro e saudável durante o inverno
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Dr. Sylvio Renan

O inverno mal começou e as dúvidas e preocupações com febre, gripe, resfriado, conjuntivite, dor de garganta e uma série de viroses respiratórias já é rotina para os pais. Geralmente, as temperaturas mais baixas indicam uma supervalorização da fragilidade dos pequenos a essas doenças e, para ajudar os pais, separei algumas dicas de cuidados que vão desde a roupinha até a alimentação mais adequada durante as baixas temperaturas:

1 – Manter o nariz limpo – Bebês com menos de 1 ano de idade tendem a respirar quase que exclusivamente pelo nariz e, por isso, é importante mantê-lo sempre limpo. O uso de soro fisiológico para a limpeza evita a desidratação e a formação de crostas no canal, além de impedir que agentes infecciosos que estão no ar entrem em contato com a mucosa e o organismo da criança.

2 – Banho do bebê – Nos dias mais frios, por mais que os pais queiram manter os bebês quentinhos, o banho não deve durar mais que 10 minutos e a temperatura da água não pode ultrapassar os 37°C; tudo isso para evitar o resfriamento do corpo do bebê e assim, os resfriados.

Ao preparar o banho, a dica é que os adultos pré-aqueçam o ambiente e mantenham portas e janelas fechadas, evitando correntes de ar. Deixem também a troca de roupa bem próxima para que o bebê não circule pela casa sem estar devidamente agasalhado.

3 – Como vestir o bebê – É importante que os pais fiquem atentos a escolha da roupinha, porque os pequenos transpiram bastante e a quantidade de roupa pode incomodá-los, tanto por estarem com calor como com frio. Às vezes, a irritação e o choro sem motivo aparente têm apenas uma causa: o excesso de roupas.

Na hora de dormir, mesmo sendo genuína a preocupação em agasalhar os filhos para que tenham um sono tranquilo e quentinho, os pais não devem deixar mantas ou gorros próximos ao bebê para evitar que durante a madrugada não sufoque no caso de acordar ou rolar no berço.

4 – Vacinação em dia – Nesta época do ano, com poucas chuvas e o ar mais seco, crianças e bebês são alvos comuns de gripes e resfriados devido ao organismo dos pequenos ainda ter um sistema imunológico imaturo. Se seu filho apresentar quadro febril, espirros, tosse e coriza por mais de 3 dias, consulte o pediatra para melhor avaliação e indicação de medicamento. Importante: nunca medique o seu filho antes de consultar o médico! Além disso, é imprescindível manter a vacinação em dia desde o primeiro mês do recém-nascido e para maximizar o potencial protetor para a criança.

5 – Aquecedores e vaporizadores – Para os pais que optam em usar aquecedores no quarto do bebê, não há problema em usar vaporizadores ou aquecedores a óleo, que mantém o ambiente quente sem ressecá-lo. Mas, vale lembrar que não é para transformar o quarto da criança em um verdadeiro forninho porque a temperatura alta não fará bem e ao transportar a criança para outros ambientes da casa, menos aquecidos, irão causar grande choque para os pequenos.

6 – Manter o quarto arejado – Quando a criança estiver fora do quarto, pais e cuidadores devem abrir as janelas e deixar o ar circular no ambiente, livrando-o de possíveis agentes infecciosos que ali tenham se alojado. Na hora de dormir, tudo fechado novamente.

É importante também manter a limpeza do quarto diariamente. Mas atenção, observe as informações nos rótulos dos produtos utilizados, uma vez que alguns contêm em sua fórmula alguns componentes químicos que podem agredir a criança. Na dúvida, fale com o seu pediatra.

7 – Higiene das mãos – Lavar bem as mãos das crianças é uma medida eficaz para prevenir resfriados e outras viroses. Principalmente, para as crianças em idade escolar que ficam em ambientes fechados, o que contribui para a transmissão de doenças por via aérea e também por agentes transmissores que ficam nas superfícies. Como prevenção, a higienização das mãos deve ser feita ao chegar da rua, da escola, antes das refeições, após ir ao banheiro ou quando tossir e espirrar.

Sempre reforço aos pais nas consultas, que o hábito de lavar as mãos começa na infância e, se educadas corretamente, as crianças o manterão por toda vida.

Tópico importante e quase sempre esquecido quando falamos em cuidados com bebês e crianças, é a saúde dos pais e cuidadores. Parece óbvio, mas acompanhei alguns casos de pais que não tinham, por exemplo, o hábito de lavar as mãos antes de segurar o pequeno.

Então, fica o alerta, os adultos também devem manter hábitos saudáveis não somente para a proteção de si mesmos, mas também do bebê ou criança com quem convivem.

De modo geral, os cuidados no inverno nada mais são que a intensificação dos cuidados que devem ser comuns em qualquer e toda época do ano, sempre com atenção redobrada a higiene, alimentação adequada, vacinação das crianças e a visita constante ao pediatra.


Educação financeira infantil: investimento muito além da mesada
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Dr. Sylvio Renan

Muitas vezes, aqui no consultório, os pais me perguntam quando é o momento de introduzir a recompensa financeira, a famosa mesada, na rotina da família e quais os limites ou regras mais importantes para o ensino financeiro da criança.

Acontece que a educação financeira infantil vai muito além da mesada, porque contribui e incentiva a criança com aspectos como organização, planejamento, disciplina e responsabilidade. E tudo isso terá reflexo na vida adulta: a relação que se deve ter com o dinheiro. Ou, o que é preço e o que é valor.

Entre os 6 e 7 anos, meninos e meninas passam a perceber o mundo ao seu redor com muito mais clareza e, consequentemente, querem mais desse mundo. É a fase “mamãe, quero isso, papai, quero aquilo.”. Mas, em vez de tornar esse processo uma dor na cabeça, os pais podem transformar o consumismo da criança em aprendizado.

A ideia, segundo Álvaro Modernell, especialista em economia financeira infantil, é fazer com que a criança entenda que, ao receber dinheiro, ela também recebe o poder de escolha, e isso sempre vai acarretar em perder alguma coisa para conquistar algo mais valoroso no final.

Como pediatra, não recomendo atrelar o ganho financeiro com as tarefas domésticas ou escolares do pequeno, porque uma coisa é obrigação, outra é o aprendizado monetário. A mesada não precisa vir de uma tarefa ou de um comportamento, mas sim de um acordo entre pais e filhos.

Como orienta Modernell, a mesada pode ser calculada por R$ 1,00 para cada ano da criança. Assim, aos 6 anos, a criança receberá R$ 6,00 toda semana e, aos poucos, entrando na adolescência, por exemplo, o valor pode ser triplicado, tornando-se mensal. É claro que todo valor deve ser previamente acordado entre os pais, levando em consideração as condições da família.

Também é de suma importância manter o diálogo com o pequeno desde cedo para explicar a importância de anotar o valor ganho, os gastos e quanto foi economizado no mês. Assim, a criança perceberá o quanto precisará economizar, e por quanto tempo, para realizar um objetivo maior.

É quanto a esse “objetivo maior” que os pais devem debruçar-se em esforços para que as crianças entendam os benefícios de poupar, fazer escolhas e se planejar. Muitas vezes, esse objetivo final é muito mais caro do que elas podem esperar poupando. Neste momento, os pais podem se oferecer para dar parte do dinheiro para complementar, caso a criança consiga entregar um valor “x”.

A educação financeira infantil traz com sutileza um dos problemas mais comuns da vida adulta, que é lidar com as próprias finanças. Com a ajuda dos pais, esse aprendizado pode se tornar um prazer rodeado de conquistas, fazendo do poupar dinheiro, e do controle dos gastos, uma experiência agregadora de conhecimentos e práticas para toda a vida. E tudo isto associado a um maior relacionamento entre pais e filhos.


Você sabe o que é a Doença Renal Crônica?
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Dr. Sylvio Renan

Em entrevista para a Revista Saúde, a nossa nefropediatra Dra. Maria Cristina de Andrade explica o que é a Doença Renal Crônica, assista clicando: “O que é a Doença Renal Crônica? – SAÚDE em 90 Segundos”.

A Doença Renal Crônica (DRC) é a perda progressiva — e muitas vezes irreversível — da função dos rins, sem manifestação clínica;  essa enfermidade já atinge 10% da população mundial, indiscriminadamente, pessoas de todas as faixas etárias e sexo.

O mau funcionamento dos rins afeta o desenvolvimento físico, intelectual, emocional e social, principalmente nas crianças, além de causar morbidade em quase todos os órgãos do corpo humano.

Para a nefropediatra, indivíduos obesos têm uma hiperfiltração compensatória para equilibrar seu metabolismo, e esse esforço dos rins pode acarretar o desenvolvimento da Doença Renal Crônica, definida pela presença de lesão e/ou pela perda da função renal.

Pesquisa da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) confirmou que, no Brasil, aproximadamente 1/3 das crianças de 5 a 9 anos de idade está com excesso de peso. Projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam ainda que até 2025 o número de crianças nessas condições pode chegar a 75 milhões.

As DRCs não são curáveis e seus portadores podem precisar de cuidados para o resto de suas vidas. Além disso, a doença pode evoluir para a insuficiência renal, requerendo diálise ou transplante de rins no futuro.

Outros problemas de saúde desencadeados pela Doença Renal Crônica são as cardiovasculares, que precisam de cuidados específicos. Da mesma forma, quando associada ao sobrepeso e à obesidade, podem ter como medida de prevenção primária hábitos que melhore a qualidade de vida do paciente, tais como a prática de atividade física e alimentação adequada desde a tenra idade.

Dra. Maria Cristina de Andrade atenta ainda que é fundamental para bebês, crianças e adolescentes consumam menos produtos industrializados, como refrigerantes e fast-foods, além do acompanhamento pediátrico periódico.

*Com colaboração da Dra. Maria Cristina de Andrade – CRM 55067/SP
Autora do livro “Nefrologia para Pediatras”, mestre e doutora em pediatria pela Unifesp/EPM, especialista em pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria, com área de atuação em Nefrologia Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e Sociedade Brasileira de Pediatria.

 


Carnaval: 7 dicas para se divertir com as crianças
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Dr. Sylvio Renan

Children Playing in Confetti

Carnaval com as crianças | FOTO:divulgação

Se “rir é o melhor remédio”, brincar o Carnaval com os pequenos é o que eu mais indico. Porém, sempre com alguns cuidados especiais.

Super-heróis, heroínas, monstras e príncipes tomam conta da bagunça. Aos pais, cabe invariavelmente o papel de vigias. Vale a descontração e empolgação das crianças e também algumas dicas:

Veja as principais recomendações aos pais, cuidadores e responsáveis:

1- Localização: algumas famílias têm o costume de brincar o Carnaval nos blocos de rua ou em clubes. Na rua, a ótima notícia é que existem bloquinhos pensados justamente para as crianças e que atendem aos requisitos de segurança, como não permitir a passagem de carros, a realização em horários que respeitam o sono dos pequenos e com estrutura confiável de apoio aos pais – banheiros, trocadores e refrigeração adequada dos alimentos e bebidas oferecidos.

Muito clubes, sobretudo nas matinês, tomam o cuidado com os decibéis emitidos, no intuito de preservar a audição das crianças.

Mais tradicionais, no Rio de Janeiro e em São Paulo acontecem os desfiles das escolas de samba do primeiro e do segundo grupos. Os sambódromos não permitem a entrada de crianças menores de 5 anos, também visando preservar a integridade do sistema auditivo dos pequenos.

Acima desta idade, e até os 12 anos, é permitida a entrada somente na companhia dos pais ou do responsável legal.

Os pais podem providenciar também pulseiras de identificação para as crianças e adolescentes, com o nome e um telefone para contato.

2- Som: O que seria do Carnaval sem as tradicionais marchinhas? Ou as músicas do momento que embalam as crianças em ritmos diversos? Pois é, nada! Mas, atenção: menores de 2 anos ainda têm os tímpanos muito sensíveis e a música alta e constante se torna prejudicial. Para os maiores, mesmo que já “soltinhos”, não é recomendável permanecer próximo às caixas de som, evitando assim posterior dor de cabeça ou no ouvido.

3 – Confete e Serpentina: colorir é a palavra chave do Carnaval. A cidade cinza e o clima sério da rotina de trabalho dão lugar a serpentina e ao confete. Os pequenos adoram soprar e jogar esses adereços, e não é preciso restringir para os maiores de 6 anos. Para os menores, evite ou controle, pois é comum que levem à boca.

4 – Spray: crianças adoram algo diferente. O sprays e tintas coloridas ou em espuma fazem a alegria da molecada. No entanto, antes de deixá-los brincar à vontade com esses adereços é essencial ler a embalagem dos produtos e certificar-se de que não são tóxicos e a base de álcool, como recomendado pela Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

5- Fantasia: a ONG Criança Segura alerta para o cuidado na compra ou confecção de fantasias que tenham adereços pendurados ou de fácil estouro, como botões, por exemplo. A preocupação é, de novo, com os menores que ainda adoram colocar o que veem na boca. Outra observação importante da ONG é com o zíper das roupas, que podem dar uma ‘beliscada’ na pele. A recomendação é colocar uma proteção, por exemplo, uma camisetinha.

6- Alimentação: não custa salientar, tanto para os pais veteranos quanto aos novatos: privilegie uma alimentação saudável, com frutas e alimentos mais leves. Na hora de comer, opte por oferecer saladas, com legumes e verduras. Salada de frutas também é rica em carboidrato e as frutas ricas em líquido também garantem uma hidratação extra. Dê preferência à melancia, melão, abacaxi e mexerica. Com o calor, os alimentos gordurosos e aqueles vendidos nas ruas ou clubes podem fazer mal à criança.

É extremamente recomendável a ingestão de líquido (preferencialmente água). Mantenha sempre seu filho bem hidratado.

7 – Exposição ao Sol: segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, bebês com menos de 6 meses não devem usar protetor solar, uma vez que o organismo ainda não está amadurecido para lidar com os componentes químicos da fórmula. Nesse quesito entram também os repelentes. Crianças acima de 2 anos de idade podem usar protetores e repelentes específicos e recomendados pelos órgãos de saúde e seus pediatras.

No Carnaval, pequenos e pequenas de várias idades são abraçados pela folia saudável, um festejo com fantasia, música e muita diversão com amiguinhos e familiares.

Não vale a pena perder tudo isso por imprudência, não é? Então, siga estas recomendações e bom Carnaval a todos!


Pais e educadores devem saber como prevenir a anafilaxia na escola
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Dr. Sylvio Renan

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A anafilaxia é uma grave reação alérgica que pode levar o indivíduo a óbito, ocasionado em decorrência da ingestão de alimentos, picadas de insetos, materiais produzidos com látex ou medicamentos. A reação pode ocorrer dentro de um minuto ou horas após a exposição a um alérgeno. São muitos os fatores que podem provocar tanto alergia como anafilaxia. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os quadros alérgicos vêm aumentando em todo o mundo e 25% dos casos de mortalidade por reação anafilática ocorrem na escola.

Além da atenção dos pais, educadores e funcionários das escolas também precisam saber identificar os sintomas, uma vez que é o local onde crianças e adolescentes passam a maior parte do dia.

Os principais sintomas da anafilaxia são urticárias na pele, inchaço, coceira ou vermelhidão, rouquidão súbita, edemas labiais, problemas gastrointestinais, respiratórios ou cardiovasculares [queda de pressão]. A reação alérgica aguda é subestimada por não ter nenhuma notificação obrigatória, o que torna difícil a validação de sua prevalência. Contudo, alguns artigos científicos apontam, em torno, de 4 a 50 casos por 100 mil pessoas.

O diagnóstico da anafilaxia é clínico. Por isso, os pais, assim como profissionais da escola, professores, coordenadores, diretores e responsáveis pelo transporte escolar devem ter o prévio conhecimento se a criança é alérgica, para contribuir com o rápido atendimento médico. É importante que as escolas tenham nas fichas dos alunos os registros de antecedentes de todas as doenças, assim como alergias. Ao mesmo tempo, ter a listagem das substâncias alérgenas. Relacionado a isso, vale lembrar que no ano passado a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou uma Resolução que obriga a informação na rotulagem em 17 principais grupos de alimentos e bebidas.

Anafilaxia na escola

Se a reação alérgica acontecer no ambiente escolar, os responsáveis devem transferir o paciente com urgência para o posto de atendimento médico mais próximo, para garantir melhores possibilidades de sobrevivência. Habitualmente, são utilizados corticosteróides e derivados de adrenalina, mas tais medicamentos devem ser aplicados por via parenteral (injeção ou cateter nas veias periféricas) e na dosagem correta, que varia de acordo com o peso da criança e/ou do adolescente.

O medicamento não pode ser aplicado por qualquer pessoa; apenas por profissionais habilitados/treinados. Caso a escola tenha uma equipe treinada para o atendimento emergencial e monitoração da situação até a chegada de socorro médico, essa então deverá prestar os primeiros socorros, de acordo com os protocolos.

Ter conhecimento da reação alérgica dos alunos e equipe devidamente treinada para situações emergenciais dentro das escolas é de extrema importância para prevenir tragédias, que podem ocorrer mesmo sob muita vigilância.

Para prevenção de casos graves de anafilaxia, a SBP produziu um “Guia Prático” para escolas e pais, que pode ser conferido aqui.

Anafilaxia X Asma

Sendo um capítulo à parte, as crianças asmáticas merecem atenção redobrada dos pais e profissionais da escola, pois nestes casos a reação pode ser ainda mais grave e fatal.

Especialistas em Alergia e Imunologia Pediátrica da SBP entregaram no início deste ano um abaixo-assinado ao Ministério da Saúde solicitando a disponibilização imediata da adrenalina injetável para pacientes com predisposição à anafilaxia e/ou asmáticos, que correm riscos de crises fatais fora do ambiente hospitalar. Saiba mais sobre a solicitação da SBP ao Ministério da Saúde aqui.

 


Dia Mundial do Rim foca atenção na criança
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Dr. Sylvio Renan

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Dia Mundial do Rim

 

Em 10 de março é comemorado o #DiaMundialdoRim, que este ano tem como foco a criança. A mensagem: “Prevenção da doença renal começa na infância”, foi motivada pelo aumento de diagnósticos de doenças relacionadas às crianças e ao fato de que grande parte das doenças renais acometem milhares de pessoas em todo o mundo terem origem na infância.

A Draº Maria Cristina, nefrologista pediátrica da MBA Pediatria e da UNIFESP, alerta que embora todos os alvos de atenção estejam focados na epidemia de doenças relacionadas à dengue, não podemos descuidar da necessidade de atendimento de outras doenças, como a Doença Renal Crônica (DRC).

“Nas crianças, a partir do nascimento até os 4 anos de idade, a insuficiência renal tem como causa a hereditariedade, como doença policística dos rins, ou quando o bebê nasce com apenas um rim ou com rins com estruturas anormais. Dos 5 aos 14 anos, além dos aspectos hereditários, podem ocorrer infecções, síndrome nefrótica (conjunto de sintomas devido a perda de proteína na urina e água e sal com retenção no corpo), doenças sistêmicas (lúpus, por exemplo) e bloqueio de urina ou de refluxo (problemas do trato urinário e na bexiga). Dos 15 aos 19 anos a maior incidência ocorre devido a doenças nos glomérulos, a unidade funcional dos rins”, explica Draº Maria Cristina.

É importante lembrar que os danos nos rins são evitáveis e, por isso mesmo, é imprescindível campanhas educativas que consigam o diagnóstico precoce e os devidos tratamentos em tempo hábil, especialmente no caso das crianças, pois as doenças renais infantis, se não tratadas, evoluem na fase adulta para seu estágio final, com consequências que atrapalham a qualidade de vida e podem culminar na morte precoce.

Por se tratar de uma doença complexa, os aspectos econômicos também são consideráveis, sobretudo quando estamos presenciando uma retração das economias globais, sem uma expectativa promissora para o futuro.

Estatísticamente, 1 em cada 10 pessoas tem algum grau de DRC. O crescimento e a constância de casos de doenças renais tem aumentado os custos dos tratamentos, representando um fardo para os sistemas de saúde em todo o mundo, incluindo no Brasil.

A Draº Maria Cristina acrescenta que “somos uma sociedade miscigenada, com variada composição étnica, em grande parte formada por afrodescentes e índios – grupos de maior prevalência da doença, assim como mulheres e idosos. Como em todo mundo, os idosos estão compondo a maior parte da nossa pirâmide social, e as mulheres hoje têm importante papel no mercado de trabalho. Se pensarmos em previdência e em pessoas economicamente ativas, temos um problema para solucionar hoje e ainda mais no futuro. Daí pensar na prevenção desde a infância, até mesmo como modelo sustentável do ponto de vista econômico”, descreve a nefropediatra da MBA Pediatria.

Pesquisando mais sobre o assunto, encontrei e da National Kidney Foundation, organização norte-americana para a conscientização, prevenção e tratamento da doença renal, que revela que o tratamento da DRC custa mais que os de câncer colo, pulmão e mama juntos! Também lá nos Estados Unidos, o tratamento da DRC ultrapassa os US$ 48 bilhões por ano, consumindo 6,7% do orçamento total do sistema de saúde americano, para tratar menos de 1% da população coberta.

Na Austrália, a estimativa é de US $ 12 bilhões; na China, a economia vai perder US$ 558 bilhões na próxima década devido a mortalidade e incapacidade das pessoas com doenças cardiovasculares e renais crônicas; no nosso vizinho Uruguai, o custo anual de diálise é de cerca de US$ 23 milhões. Pior ainda o que acontece em muitos países africanos, onde há pouco ou nenhum acesso ao tratamento e as pessoas simplesmente morrem.

No grupo de países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, mais de 1 milhão de pessoas morrem todos os anos de insuficiência renal não tratada.

Ao escolher como tema global para o Dia Mundial do Rim de 2016 – “Prevenção da doença renal começa na infância” -, colocamos como prioridade a responsabilidade de todos os serviços públicos e particulares de enfatizar o alerta à população para a adoção de hábitos saudáveis desde a infância, para proteger o pequeno e o futuro adulto que ele será.

A Drº Maria Cristina Andrade, minha parceira em prol das crianças avisa: “A doença renal crônica em crianças traz consequências devastadoras para o crescimento e o desenvolvimento cerebral. Mas, se diagnosticada a tempo, é possível adotar medidas apropriadas para que a doença seja retardada”, concluí a nefropediatra.

Sobre a Doença Renal Crônica (DRC), lembre-se:
As DRCs não são curáveis e seus portadores podem precisar de cuidados para o resto de suas vidas;
Se não for detectada e tratada precocemente, a DRC pode evoluir para insuficiência renal, o que pode requerer diálise ou transplante no futuro;
As Doenças Renais Crônicas desencadeiam outros problemas de saúde, como doenças cardiovasculares (ataques cardíacos e derrames);
O tratamento da DRC é de alta complexidade, caro e trabalhoso;
A doença renal crônica precoce não tem sinais ou sintomas iniciais;

Principais cuidados com os pequenos e lembrete para os adultos:
Urine constantemente. Nada de segurar o xixi!
Evite alimentos com muito sódio (encontrados em produtos industrializados, embutidos, condimentados em geral) que sobrecarregam os rins, dificultando o seu funcionamento;
Os rins filtram os resíduos e fluidos extras do sangue e mantém o equilíbrio químico do corpo;
Os rins ajudam a controlar a pressão arterial e a manter os ossos saudáveis;

Lembre-se: Para todos os casos, a prevenção sempre é o melhor remédio. Cuide bem do seu pequeno.
Drº Sylvio Renan


Dor de barriga e febre: o que elas podem ser?
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Dr. Sylvio Renan

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Que um bebê e uma criança adoecem com mais facilidade isso todo pai e mãe sabem. Mas, o que é inegável, são as dúvidas e, às vezes, o desespero que afligem estes pais em como identificar uma possível doença no seu filho.

Para tentar diminuir estas aflições, reuni algumas dicas sobre os sintomas que as crianças dão, como um sinal, um aviso: ‘não estou bem’.

Além do choro, característico de que algo está errado, há outros sinais importantes que indicam que o pequeno pode estar doentinho: a febre e a dor de barriga.

É importante esclarecer que a dor de barriga é absolutamente inexpressiva em bebê e, principalmente, em crianças maiores. Ela pode advir de uma contração muscular (basta lembrar os movimentos bruscos, as cambalhotas e as posturas assumidas pelas crianças), excesso de gases, contrações abdominais por alimentos inadequados, além, é claro, daquelas dores que passam logo após um carinho da mãe (as de origem psicoafetivas).

No entanto existem aquelas dorzinhas que são características de alguma doença. Estas, geralmente, vêm acompanhadas de febre, e não melhoram facilmente com medidas caseiras, além de terem uma tendência a aumentar com o passar do tempo.

Em relação à febre, esta é uma defesa do organismo frente a algum fator agressor, que, ao perceber que está sendo invadido, seja por fungos, bactérias, vírus ou corpos estranhos, aumenta sua produção de leucócitos (ou glóbulos brancos – células do sangue especializadas na defesa contra invasões), dirigindo-se ao local da agressão e iniciando o processo inflamatório visando destruir o invasor. Durante esta etapa, ocorre a liberação de pirógenos responsáveis pelo aumento da temperatura do organismo, o que aumenta o poder de ação dos glóbulos brancos.

Se considerarmos que os vírus e bactérias, quando invadem o organismo, provocam febre antes da instalação da doença a ponto de ser perceptível para diagnóstico médico, a consulta precoce ao profissional não antecipa o início do tratamento. O pediatra (ou outro profissional da medicina) somente prescreverá algum tratamento quando tiver bons indícios ou até a certeza do que está acontecendo com a criança. Dependendo da doença, os sintomas podem aparecer de 1 a 7 dias e, muitas vezes, o diagnóstico é possível somente após exames laboratoriais.

Para amenizar a dor de barriga e, principalmente, a febre, muitos pais recorrem a remedinhos da farmacinha caseira. Mas, afinal, isso é aconselhável? Importante dizer que se o pediatra já prescreveu uma determinada medicação em outras ocasiões, a mesma pode ser utilizada até que o médico seja contatado e informado quando ocorrer um novo sintoma.

Para cessar a febre, por exemplo, o pediatra habitualmente deixa com os pais a prescrição com a dose correta para cada criança, com indicação de antitérmicos que podem ser utilizados quando apresentar febre.

Existe uma tabela que muito auxilia os pais quando precisam recorrer ao pediatra em casos febris:

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Medicamentos podem provocar reações adversas, mesmo que não sejam ministrados em altas dosagens. Como alternativa, outra manobra que diminui a temperatura corporal é dar um banho morno, com temperatura aproximadamente 2ᴼ C abaixo da temperatura do corpo da criança naquele momento.

Contudo, vale frisar que qualquer medicação deve ser prescrita pelo pediatra. Ou outro médico, dependendo de cada caso.

 

 


Quanto o meu filho vai crescer?
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Dr. Sylvio Renan

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Uma das principais preocupações que afligem os pais e também os adolescentes que atendo em meu consultório está relacionada à altura. Esta apreensão é normal, principalmente entre os meninos que propagam a imagem de que homem tem que ter músculos, ser alto e atleta.

Recentemente, recebi uma dúvida de um garoto, de 14 anos, que queria saber até que altura iria crescer. Uma pergunta que me fez pensar sobre o assunto, muitas vezes questionado em consultas e conversas informais, e que me levou a escrever este post para o Blog.

Entre as dúvidas está a relação da taxa de crescimento com a puberdade, um período da adolescência com duração de dois a quatro anos, caracterizado por transformações biológicas, físicas e psíquicas. É nesta fase que acontece o crescimento esquelético linear, a alteração da forma e composição corporal, o desenvolvimento de órgãos e mudanças no sistema reprodutivo sexual.

Vou tomar como exemplo o questionamento do jovem. Ele tem 14 anos e apresenta uma altura de 1m84. Neste caso, projeta, através do gráfico de crescimento da NCHS, dos Estados Unidos (sigla em inglês para National Center for Health Statistics), uma altura final de cerca de 1m92.

No entanto, temos que considerar quando foi o início da puberdade deste jovem. Quanto mais precoce, menor será sua estatura final. Inversamente, quanto mais tardia, maior será seu crescimento.

Claro que outros fatores estão envolvidos, como a genética de cada um. Dificilmente uma criança de pais e avós com estaturas mais baixas terá uma altura muito superior que a de seus descendentes.

E como descobrir se há um déficit no crescimento do seu filho? Para fazer esta avaliação é necessário saber, antes de tudo e com precisão, a altura, o peso e a maturação sexual. Este processo será mais bem alinhado com o acompanhamento do pediatra da criança, que poderá avaliar se há ou não deficiência na curva de crescimento.

Mas atenção! Não há motivos para pânico se o seu filho é baixinho. O processo de crescimento é relativo de criança para criança e envolve estudo particular de caso a caso. Lembre-se, qualquer dúvida ou alerta de que algo está errado, converse abertamente com o seu pediatra.


O tempo certo para a retirada das fraldas
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Dr. Sylvio Renan

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Um método para a retirada das fraldas dos bebês, difundido nos EUA, começa a ser debatido por aqui. Trata-se do “elimination comunication” (comunicação da eliminação, em inglês), e que consiste na observação dos sinais e sons que o bebê emite sempre que sente vontade de fazer suas necessidades.

Baseado nestes sinais, os pais conduzem o bebê (de meses) para um peniquinho para que ele faça as suas necessidades e assim se condicione a não mais fazer nas fraldas.

Embora nos EUA já até exista uma organização não governamental chamada Diaper Free Baby (Bebê livre de fralda, em inglês) que auxilia os pais na técnica, eu a questiono bastante e explico o motivo.

Além de ser pouco viável e prática nos dias de hoje para a execução dos pais, as crianças só começam a ter um controle neurológico de suas necessidades a partir dos 18 meses. Desta forma, esta antecipação da retirada da fralda por condicionamento tem pouca chance de dar resultado, além de poder, pela frustração dos pais frente a um provável insucesso, provocar uma obstipação de origem psicológica. Pela lógica, não são os pais que condicionam a criança, mas o bebê que condiciona os pais a levá-lo ao vaso sanitário sempre que quiser fazer cocô ou xixi.

Outro ponto importante está relacionado ao próprio afeto e cuidado com os pequenos. Tudo na fase de uma pessoa tem um momento e hora certa para acontecer, especialmente na infância. A prática dessa técnica faria com que a criança pulasse uma fase da vida, além de perder esse momento de afeto e contato próximo com os pais que é proporcionado no momento da troca da fralda.