Blog do Pediatra

Arquivo : amamentação

Dia Mundial da Amamentação: Aleitamento Materno
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

Hoje é comemorado o Dia Mundial da Amamentação, onde irei explicar porque algumas mães optam por não amamentar e outras passam pelo desmame precoce. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), em associação com a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o aleitamento materno é fundamental nos primeiros seis meses de vida das crianças. Nesta fase é necessário apenas o leite materno como alimento. Contudo, há algumas mães que não desejam amamentar, e outras não conseguem por falta de leite.

O que é recomendado em casos como estes e como nós pediatras devemos orientar as mães a lidarem com essas situações sem prejudicar a saúde dos bebês? Além de a amamentação proporcionar diversos benefícios para os bebês e para as mães, este é o alimento mais completo e equilibrado que existe no início da vida, e contribui para a boa formação do sistema imunológico de uma criança. Para as mães, por outro lado, é um modo de prevenção de doenças cardiovasculares e de alguns tipos de cânceres, e ainda colabora para uma perda de peso mais rápida.

O fato de algumas mães optarem por não amamentar ocorre por inúmeras razões, como não sentir vontade, medo de não fazer direito, dor, preservação dos seios, depressão pós-parto ou crença familiar, que é o que ocorre quando algum parente próximo relata uma má experiência ou julga o ato desnecessário e, desta forma, influencia a lactante.

Para a mulher, essa fase pode conter muitas dúvidas e inseguranças. Neste período, é importante o apoio do pai da criança e da família de ambos, que devem cercar a mãe de muito carinho, ajuda e incentivo para o aleitamento materno. Eu como pediatra tenho como função convencer as mamães, após o parto, que o leite materno é a forma mais natural, barata e nutritiva para oferecer ao seu bebê.

Caso a decisão de não amamentar já tenha sido tomada, nós profissionais devemos orientar a mãe de que forma poderá substituir o alimento, seja pelo leite industrializado ou fórmulas derivadas do mesmo, com retirada de nutrientes menos adequados ao bebê e introdução de substitutos de maior digestibilidade (absorção de nutrientes) e menos alergênicos.

O leite das ‘fórmulas’ ou mamadeiras, por ser o leite industrializado modificado, pode provocar entre outros quadros alergia à proteína do leite de origem animal (que não é a idêntica à do leita materno), provocando desde eczemas até quadros intensos de asma. Isto ocorre com mais frequência quanto mais cedo o bebê começa a ingerir o leite de mamadeiras. Por isso é preciso orientação correta e acompanhamento.

 

Desmame Precoce

Em paralelo a essa realidade, existem alguns problemas comuns que interrompem a amamentação contra a vontade da mãe, como a mastite (infecção das mamas), que leva ao desmame precoce devido à dor que provoca e ao risco de infecção ao bebê, e ainda quando os mamilos são mal formados, por falta da produção de leite, internações prolongadas da criança, volta da mãe ao trabalho ou depressão pós-parto.

Para os casos do desmame precoce, decorrente de algum problema com a mãe, existem vários estímulos para o leite não secar, como beber bastante líquido, manter uma alimentação saudável e fazer exercícios de massagem nos seios. Retirar o leite e insistir que o bebê pegue o peito também são estímulos, mesmo quando se tem apenas o colostro.

As mães devem respeitar os seis meses de amamentação indicados pela OMS, para proporcionar uma melhor saúde aos seus filhos. A Organização Mundial de Saúde preconiza o aleitamento materno do nascimento até o bebê completar seis meses. Depois deste período é possível oferecer outros alimentos, mas vale persistir no leite materno como única fonte de alimentação até o primeiro ano de idade. Em alguns casos, como em regiões mais pobres do planeta, a orientação é que o aleitamento materno seja estendido até os dois anos de idade.

 

Cartilha sobre amamentação e alimentação complementar

 shutterstock_166163945A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) disponibiliza em seu site uma cartilha sobre amamentação e alimentação saudáveis para os bebês, onde explica as vantagens, como amamentar e estimular uma maior produção de leite, como evitar o empedramento e como e quando deve ser feito o desmame, entre outras indicações importantes. Para ler na íntegra, acesse: http://bit.ly/2a5aY2f

 

 


Desmame ao seio: quando é o momento certo?
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

foto post desmame
Leite materno é essencial para a saúde do bebê. Sei que já afirmei em diversos momentos aqui e com frequência escrevo a respeito, a fim de reforçar sua importância. No entanto, um assunto que sempre gera dúvidas em muitas mamães é o momento do desmame. Qual a hora certa de fazê-lo? Como realizá-lo? Quais reações esperar do baixinho?

Por isto, este artigo visa tirar algumas dúvidas iniciais e auxiliar as mães durante este processo do desmame.

Antes de tudo, não posso esquecer-me de frisar que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece que os bebês devam ser amamentados, única e exclusivamente ao seio, pelo menos até complementarem seis meses de idade. Após esta fase, outros alimentos podem ser oferecidos, progressivamente, ao pequeno, mantendo-se, porém, o leite materno como único alimento lácteo até a criança completar dois anos de idade.

Existem várias razões para o desmame antes de o bebê completar dois anos de idade, como doença materna, produção materna inadequada de leite, internações prolongadas da criança, volta da mãe ao trabalho, entre outras.
Mas, afinal, como deve ser feito este processo? O desmame deve ser progressivo, retirando mamadas ao seio e trocando-as por leite artificial. Se a mãe tem condições de amamentar de manhã e à noite, pode fazê-lo, deixando a oferta do leite artificial para quando ela estiver ausente.

Apesar do leite de vaca ser usado tradicionalmente como o substituto ideal, atualmente utilizam-se fórmulas derivadas do mesmo, com retirada de nutrientes menos adequados ao bebê, e introdução de substitutos de maior digestibilidade (absorção de nutrientes) e menos alergênicos, todos derivados do leite do animal. Em casos especiais, como a alergia à proteína do leite de vaca, pode ser utilizada uma fórmula de derivados vegetais, como a soja, ou o próprio leite de vaca após hidrolização (quebra de uma molécula em partes menores e menos alergênicas) de seus aminoácidos, diminuindo assim sua capacidade deletéria.

Após essa fase, outros nutrientes, como frutas, legumes e verduras, devem ser progressivamente introduzidos. No entanto, as mamães não podem esquecer de que, antes mesmo (e independente) do desmame, outros alimentos não lácteos devem ser oferecidos ao pequeno, a partir de seis meses de idade, iniciando com um suquinho de frutas, seguido de papas de frutas, papas de cereais, e assim por diante, para que o bebê chegue aos 12 meses de vida com uma dieta semelhante à do adulto.

É importante que as mamães não se assustem quanto às birras, choros e rejeições. Qualquer mudança na rotina leva a alterações de comportamento do bebê, sendo essas citadas as mais frequentes durante esta fase de adaptação. Mas não são apenas os pequenos que sofrem. As mães também podem se sentir culpadas pela mudança e acharem que estarão contribuindo para um corte de vínculo entre ela e seu filho, o que não é verdade.


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>