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12 cuidados necessários com o recém-nascido
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Dr. Sylvio Renan


O primeiro ano de vida do bebê é um período de cuidados especiais, no qual os pais, principalmente os de primeira viagem, têm muitas dúvidas e ansiedades. Para ajudar e dar mais tranquilidade a esses pais, selecionei algumas das principais dúvidas colhidas em mais de 40 anos de atividades de consultório.

1 – Primeiro mês: dormir ou não com os pais?
Nas 4 semanas em casa, o bebê ainda está muito dependente da mãe e esta, por sua vez, ainda se sente bem insegura sobre as reações e necessidades da criança, a cada gesto, suspiro. Por este motivo, e também por uma questão de praticidade e conforto, sugiro deixar o bebê no carrinho ao lado da cama, ou mesmo num berço apropriado para o local, até que todos ganhem mais independência e autonomia com a nova rotina. Mas, lembre-se, é importante que essa independência amadureça com o tempo, tanto para o bebê quanto para os pais.

2 – A amamentação no peito é obrigatória?
Mamães, seu leite é o alimento mais completo e prático de ser oferecido para o bebê no primeiro ano de vida, contendo todos os nutrientes necessários para o pleno desenvolvimento do pequeno. Por este motivo, deve ser então priorizado, com exceção apenas para casos em que a saúde materna não permite a produção adequada do alimento.

3 – Quando posso introduzir alimentos ao bebê?
Para bebês que mamam no peito, a introdução de outros alimentos deve se iniciar a partir dos 6 meses de idade. A dieta deve ser orientada pelo pediatra, considerando quantidade de tempero, sal e açúcar apropriados para a criança. Para bebês que não mamam no peito, a alimentação com papinhas naturais (salgadas e doces) pode começar a ser introduzida a partir do quarto mês.

4 – Como identificar o motivo do choro?
O choro do bebê costuma ser um mistério e um desafio para os pais, podendo indicar fome, calor, cólicas ou sujeira na fralda, entre outros. No entanto, com o passar do tempo, os pais passam a identificar algumas características especificas de cada choro, como quando o bebê contorce mais o corpo – em sinal de dor; abre a boca – procurando alimento; quando boceja – em sinal de sono, e assim por diante. Em todas essas situações, os pais ou cuidadores precisam manter a calma, uma vez que a ansiedade deles também interfere no desenvolvimento do choro dos pequenos.

5 – Como deve ser a higiene do bebê?
Um banho diário é importante para retirar resíduos de suor, xixi, fezes e vômitos. Em dias de calor, ou mesmo quando o bebê está muito agitado, outros banhos podem ser dados, não tanto para limpeza, mas como relaxante. A troca das fraldas de fezes deve ser sempre imediata, evitando assaduras e riscos de infecções urinárias, já as fraldas de xixi devem ser observadas para a troca antes da umidade da urina entrar em contato com a pele da criança.

6 – Vacinar ou não vacinar?
Devido ao desenvolvimento das vacinas, muitas das doenças antes fatais ou responsáveis por sequelas importantes no desenvolvimento das crianças, sofreram grande diminuição de incidência, com algumas até extintas. Desta forma, a vacinação é a forma mais segura para a prevenção e combate de doenças, onde os benefícios são muito mais importantes que os possíveis e raros riscos de efeitos adversos. Manter a carteira de vacinação em dia, especialmente no primeiro ano de vida, é essencial para a saúde da criança

7 – Existe solução para a cólica do bebê?
As cólicas são comuns nos bebês do nascimento aos 3 meses de idade, sendo causadas, em geral, pela imaturidade do sistema digestivo, que provoca gases e dor, especialmente naqueles alimentados com leite artificial. Nesse caso, os pais podem massagear a barriguinha do bebê ou ainda movimentar as perninhas em círculos, como se estivesse andando de bicicleta, para ajudar a locomoção do alimento ou gases. Persistindo dores muito fortes, é importante consultar o pediatra para que se investigue se há algo incomum e para prescrever de medicamentos, se necessário.

8 – Quando posso levar o bebê para passear?
Devido à fase de adaptação do organismo e sentidos do bebê ao mundo exterior, bem como a sua baixa imunidade aos micro-organismos como vírus e bactérias, o ideal é que o bebê não saia de casa antes do primeiro mês de vida e tenha restrição de visitas nesse período. A ideia não é colocar a criança em uma redoma de vidro, mas ir adaptando seu contato com este mundo novo aos poucos.

9 – Posso passar protetor solar e repelente no bebê?
Não! Bebês com menos de seis meses não devem usar protetores solares nem repelentes, porque seu organismo ainda não está amadurecido para lidar com os componentes químicos da fórmula. Mesmo assim os banhos de sol são altamente recomendados, mas somente se pais e cuidadores obedecerem ao tempo de exposição de no máximo 10 minutos, antes das 10h e depois das 16h, em crianças a partir de 2 meses de vida. No caso de prevenção contra mosquitos, vestir os pequenos com mangas e calcinhas compridas ajuda a evitar as picadas e  após os seis meses, a escolha dos produtos deve ser orientada pelo pediatra.

10 – Como lidar com os novos dentinhos?
Entre os 5 e 18 meses os primeiros dentinhos começam a despontar e então um bebê antes risonho e brincalhão pode dar lugar a um pequeno irritadiço e chorão, isso porque para muitos bebês a ruptura da gengiva é um processo irritante, e até dolorido. Pais e mães podem ajudar nessa fase “escovando” suavemente a gengiva com os dedos envoltos em gaze ou ainda usando pomadinhas anestésicas previamente prescritas pelo pediatra.

11 – Como vestir o bebê sem superaquecer ou deixá-lo com frio?
A temperatura da criança não é diferente da do adulto, porém a sua resistência à mudança climática é mais frágil. Isso significa que, de forma geral, o sentido de frio e calor dos pais pode ser aplicado para vestir seus filhos, tendo, no entanto, sempre trocas de roupas que permitam a adaptação em caso de mudança brusca de temperatura, para mais ou menos. No mais, suor é sinal de roupa em excesso, bem como arrepio, mãos geladas e necessidade de aconchego são indicadores de que a criança possa estar com frio.

12 – Em que situações posso medicar o bebê por contra própria?
Nenhuma medicação é recomendada ao bebê sem a devida prescrição do médico, mesmo em casos recorrentes ou aparentemente comuns. Diversos sintomas de diferentes doenças podem confundir diagnósticos, e a medicação, além de mascarar a doença, pode gerar riscos à criança. Ao primeiro sinal de anormalidade, como febre e dor fora do quadro da cólica, é importante consultar o pediatra.

A dica mais importante para pais de primeira viagem é manter a tranquilidade nesta fase que se mostra como um desafio, mas que será mais bem conduzida e aproveitada à medida que tiverem mais serenidade no processo. Em tantos anos de atendimento em hospitais e consultório posso afirmar que dentro da rotina esperada do desenvolvimento do bebê, são pais calmos que geram bebês calmos e saudáveis.

 


Dia Mundial do Rim: Obesidade e Doença Renal Crônica
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Dr. Sylvio Renan

Março é o mês em que se comemora o #DiaMundialDoRim, e a Doença Renal Crônica (DRC) ganha atenção especial. A falha no funcionamento dos rins pode ocorrer na infância, ocasionada por hereditariedade, diabetes ou ainda devido ao sobrepeso e à obesidade.

Em 2016, a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) apresentou uma pesquisa onde confirma que, no Brasil, aproximadamente 1/3 das crianças de 5 a 9 anos de idade está com excesso de peso. Projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam ainda que até 2025 o número de crianças nessas condições pode chegar a 75 milhões.

Para a médica Maria Cristina de Andrade, nefrologista pediátrica da MBA Pediatria e da UNIFESP, indivíduos obesos têm uma hiperfiltração compensatória para equilibrar seu metabolismo, e esse esforço dos rins pode acarretar o desenvolvimento da Doença Renal Crônica, definida pela presença de lesão e/ou pela perda da função renal.

As DRCs não são curáveis e seus portadores podem precisar de cuidados para o resto de suas vidas. Além disso, a doença poder evoluir para insuficiência renal, requerendo diálise ou transplante de rins no futuro. O mau funcionamento dos rins afeta o desenvolvimento físico, intelectual, emocional e social, principalmente nas crianças, além de causar morbidade em quase todos os órgãos do corpo humano.

Outros problemas de saúde desencadeados pela Doença Renal Crônica são as cardiovasculares, que precisam de cuidados específicos. Da mesma forma, quando associada ao sobrepeso e à obesidade, que nestes casos podem ter como medida de prevenção primária hábitos que melhores a qualidade de vida do paciente, tais como a prática de atividade física e alimentação adequada desde a tenra idade.

Para a nefropediatra, é fundamental também que bebês, crianças e adolescentes consumam menos produtos industrializados, como refrigerantes e fast-foods, além do acompanhamento pediátrico periódico.

A função do #DiaMundialDoRim e das campanhas promovidas por diversas entidades nacionais e internacionais ligadas ao tema é conscientizar pais, cuidadores, educadores e profissionais de saúde para os problemas decorrentes da enfermidade. Dada a epidemia de obesidade e sobrepeso entre crianças e adolescentes, a prevenção em seus primeiros estágios possibilitará a avaliação precoce e, consequentemente, o melhor tratamento para a saúde do paciente.

*Com colaboração da Dra. Maria Cristina de Andrade – CRM 55067/SP
Autora do livro “Nefrologia para Pediatras”, mestre e doutora em pediatria pela Unifesp/EPM, especialista em pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria, com área de atuação em Nefrologia Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e Sociedade Brasileira de Pediatria.



Catarata e glaucoma em crianças sob uso prolongado de corticosteroides
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Dr. Sylvio Renan

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A nefropediatra Maria Cristina Andrade, da clínica da MBA Pediatria e mestre e doutora em pediatria pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), apresentou recentemente uma importante pesquisa desenvolvida pelo Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

O Departamento de Oftalmologia avaliou 30 pacientes pediátricos, com média de 11 a 14 anos de idade, do ambulatório de Nefrologia Pediátrica da mesma Universidade. Conforme a especialista, a pesquisa verificou casos de catarata e glaucoma em crianças com síndrome nefrótica sob tratamento contínuo com corticoide.

A Síndrome Nefrótica é uma doença caracterizada por eliminação exagerada de proteínas na urina (proteinúria). A probabilidade é de 16 casos para cada 100.000 crianças e o tratamento geralmente requer corticoterapia sistêmica em altas doses e por tempo prolongado. Por isso, o estudo sugere uma relação entre corticoterapia e maior risco de desenvolvimento de catarata e glaucoma.

Os pesquisadores observaram que os efeitos colaterais dos corticoides na síndrome nefrótica, a longo prazo, são consequências de elevadas doses e tratamento prolongado, além da susceptibilidade individual dos pacientes. O impacto da catarata e glaucoma no desenvolvimento visual de crianças necessita de exame oftalmológico, primordialmente, quando sob uso prolongado de corticosteroides sistêmicos.

Já se sabe que em adultos o uso prolongado de corticosteroides pode causar catarata subcapsular posterior (SCP) e nuclear, exoftalmo (protuberância do olho para fora da órbita), e/ou aumento da pressão intraocular (PIO), que pode resultar em glaucoma ou causar danos ao nervo óptico. Os efeitos de corticosteroides na fisiopatologia são similares nas populações adulta e pediátrica.

Embora não possibilite a real correlação entre efeitos colaterais com dose e tempo de tratamento, o estudo revelou uma alta prevalência de catarata subcapsular (15%), possibilitando ainda a elevação da pressão intraocular numa porcentagem significativa de pacientes sob corticoterapia sistêmica, o que sugere que tais crianças tenham mais risco de desenvolver catarata.

Por fim, é importante que pais, cuidadores e mesmo educadores fiquem atentos à saúde da criança, que deve realizar exames de rotina no período estabelecido pelo pediatra, conforme a idade.


O fator de maior proteção para seu bebê nesse verão é o bom senso
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Dr. Sylvio Renan

FOTO: reprodução da internet

FOTO: reprodução da internet

Dias cada vez mais quentes estão no cronograma do verão 2017, ano com as prováveis maiores altas de temperatura já registradas. E isso significa proteger a si e aos seus pequenos do calorão e dos fortes raios solares.

Geralmente, nesses dias sem brisa e abafados, alguns bebês apresentam indisposição e até mau-humor e, em alguns casos, podem aparecer erupções na pele e assaduras nas dobrinhas do corpo por conta do calor.

O que eu sempre oriento aqui no consultório é que os pais observem a si mesmos para proteger seus pequenos. Ora, se os adultos estão com muito calor, os pequenos também. É o caso de investir em roupas leves e banhos mais frescos e demorados, para que o corpo troque de temperatura.

Outra preocupação muito comum de papais e mamães é quanto ao uso dos protetores solares. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, bebês com menos de 6 meses não devem usar o produto, uma vez que o organismo ainda não está amadurecido para lidar com os componentes químicos da fórmula.

Nesse quesito entram também os repelentes, método preventivo que permeia a ânsia dos familiares em proteger os pequenos, principalmente quando das epidemias transmitidas por mosquitos e demais insetos – todos contra o aedes aegypti, OK!

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Especificamente sobre os repelentes, vale conferir o texto elaborado pelo Departamento Científico de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. Nele você encontra as principais recomendações para a proteção das crianças do mosquito Aedes aegypti, das doenças que ele transmite e os repelentes indicados para cada fase de desenvolvimento da criança (incluindo durante a gestação). Acesse AQUI.

No entanto, para proteger seus bebês, acima de tudo, é preciso bom senso. Se o bebê com menos de 6 meses não pode usar protetor solar por não ter ainda o organismo preparado, fica entendido que ele também não está preparado para a exposição extrema ao sol, não é?

A recomendação é promover passeio curtos, no carrinho ou no colo, e apenas durante o horário anterior às 10 horas da manhã e depois das 16h. Ainda assim, mais uma vez, avalie sempre a necessidade do passeio e a saúde do seu filho.

Converse com seu pediatra caso ocorra algum incidente com seus pequenos associado a protetores solares e repelentes. É bom que se tenha em mente que o pediatra pode auxiliar com propriedade a escolher  o melhor produto para proteger seu filho, seja do sol forte, seja de mosquitos e demais insetos.

Continue aproveitando as férias com a criançada. E lembre-se: o fator de maior proteção para seu bebê nesse verão é o bom senso!


O melhor presente de Natal é o amor
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Dr. Sylvio Renan

 

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Uma das datas mais aguardadas pelos pequenos, sem dúvida, é o Natal. Isso porque, infelizmente, a ideia dos muitos presentes deixados pelo Papai Noel domina a cabecinha deles devido à cultura do consumismo tão veiculada na mídia.

A missão natalina de pais e mães deve ser reaproximar as crianças do verdadeiro significado do Natal, relembrá-los que amor e carinho são os melhores presentes para a família crescer em harmonia e permanecer unida, não importando as situações que virão.

Para tanto, que tal uma noite cheia de atividades que trabalhem os valores de gratidão, amor e união? Por exemplo, se os seus pequenos já sabem escrever, os incentive a fazer cartões de agradecimento, onde cada um coloca pelo que é grato. Vale qualquer coisa. IMPORTANTE: todo mundo deve participar, pois, ao ver os pais envolvidos na mesma atividade, os pequenos tendem a fixar o momento na memória.

Para os mais agitados, os pais podem promover uma “caça ao Papai Noel”, pistas deixadas pela casa podem levar até onde o velhinho deixou o saco de presentes ou estacionou o trenó. Ao voltar para o ponto de partida, geralmente a árvore de Natal, #tcharam!, lá estão os presentes e… OPA! Um gorro de Papai Noel!

Outra opção de divertimento com as crianças na época de Natal é a leitura de histórias natalinas ao pé da árvore. Essa pode ser uma solução para acalmar os ânimos “pós-presentes”, ou ainda para encerrar a noite de festa de um modo calmo e carinhoso.

O que vale nessa missão de pais e mães, especialmente no Natal, é estar presente. Isso não significa dar um brinquedo enorme ou o que a criança pediu; significa abraçar, dizer “eu te amo” e brincar junto.

Representa ainda um momento importante onde é possível fazer com que seus filhos entendam que o Natal, acima de tudo e do consumismo puro, é uma data para celebrar a união, o amor, a inclusão, o acolhimento, o respeito ao próximo. Enfim, isso também é presentão indelével para o futuro das nossas crianças e adolescentes.


A pediatria nos últimos 40 anos
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Dr. Sylvio Renan

Foto por: Mary Efflandt Site: maryefflandtphotography.com

Foto por: Mary Efflandt Site: maryefflandtphotography.com

Após 40 anos de atuação na pediatria, sinto-me à vontade para descrever a evolução desta especialidade, graças ao desenvolvimento da medicina e da sociedade como um todo. Com o advento das novas tecnologias da saúde e da informação, não apenas os recursos diagnósticos e de tratamentos trouxeram novas oportunidades na condução de doenças antes sem cura ou de difícil manejo, como acresceram facilidades de acesso a informações e métodos de interação para pais e cuidadores, com os profissionais e com comunidades afins.

Há quatro décadas, o médico pediatra atuava como um clínico geral de crianças, diagnosticando e tratando praticamente todos os agravos, como doenças oncológicas, reumáticas, neurológicas, entre outras.

Com o desenvolvimento das subespecialidades, focadas no tratamento mais específico de doenças infantis, o atendimento do pediatra geral evoluiu no sentido da puericultura propriamente dita, fortalecendo outros laços dentro da clínica preventiva e de tratamentos gerais, passando a exercer um papel mais importante nos cuidados com as crianças e na orientação de pais e cuidadores, visando a formação de adultos saudáveis, dignos  e com qualidade de vida.

Apenas para exemplificar, temos como base as questões de hábitos nutricionais e de atividades físicas que visam conter o avanço da obesidade e doenças cardiovasculares.

Retornando ao advento tecnológico no tratamento médico, em que pudemos promover a diminuição sensível da morbimortalidade dos pequenos, podemos citar como exemplo a oncologia infantil, em que no passado o diagnóstico era tardio e o tratamento era basicamente restrito a sedativos e analgésicos paliativos, sem medicamentos efetivos que pudessem trazer a cura para os pacientes.

Apesar do conhecimento ampliado, diagnósticos precoces e acesso a tratamentos efetivos para diversas doenças graves, a maior evolução ocorreu no setor de imunizações, com a descoberta de métodos de preparação de antígenos protetores contra muitas doenças graves,  e comuns naquele tempo: poliomielite, tétano, tifo, varicela, sarampo, rubéola, meningites pneumocócicas, tuberculosas, meningocócicas, entre outras.

No que tange a informação dos pais, passamos da demorada consulta a livros e revistas para a quase imediata internet com seu universo praticamente inesgotável, o que sem dúvida abriu horizontes importantes para todos, não apenas para aquisição de conhecimento, como para a troca de experiências. Podemos dizer que a internet empoderou pais e cuidadores de forma positiva, ao mesmo tempo abrindo um mundo de dúvidas em que aumenta a importância da figura do médico, que não pode ser descartada para o correto diagnóstico e tratamento da criança.

A tecnologia, através de seus aplicativos de comunicação, também diminuiu a distância entre médicos e pacientes, que, hoje, através de simples toques em uma tecla, conseguem enviar fotos e vídeos para sanar dúvidas rápidas, outrora somente possíveis presencialmente no consultório. É, sem dúvida, um facilitador para ambos, mas que também abre oportunidades de análise sobre o bom uso destes recursos para o bem estar de todos os envolvidos.

Neste admirável mundo novo que vislumbro nos últimos 40 anos da pediatria, em que alguns de meus pacientes de ontem agora são pais e seus filhos meus pacientes, e no qual tenho clara a mudança de relacionamento e prática que tinha com seus pais e agora com eles e seus filhos, nos cabe imaginar como será a pediatria daqui a 40 anos.

 

Dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros – CRM SP-24699
Autor dos livros “Seu bebê em perguntas e respostas – Do nascimento aos 12 meses” e “Pediatria Hoje”Formado pela Faculdade de Medicina do ABC | Especializações e títulos pela Unifesp/EPM, Sociedade Brasileira de Pediatria e General Pediatric Service da University of California – Los Angeles (Ucla) | Atuou por quase 30 anos no Pronto Socorro Infantil Sabará e foi diretor técnico do Hospital São Leopoldo, cargo que deixou para se dedicar ao seu consultório e à literatura médica para leigos.


Pais, filhos e a internet
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Dr. Sylvio Renan

O uso das tecnologias no dia-a-dia de crianças e adolescentes 

O uso das tecnologias no dia-a-dia de crianças e adolescentes 

Geralmente, a rotina de uma família é: acordar os filhos, levá-los ao colégio, seguir para o trabalho, buscar as crianças e voltar para casa. Teoricamente, nesta “última” fase do dia, crianças e adolescentes brincam com os pais, fazem as lições de casa, tomam banho, jantam e, então, hora de dormir, certo? Bom, para algumas famílias este cotidiano mudou um pouco nos últimos anos.

Cada vez mais, é comum smartphones e tablets como acessório particular da garotada, o que faz com que o roteiro narrado acima tenha se modificado, pelo menos para a grande maioria. E não é pra menos: no Brasil, 50% dos lares têm acesso à internet e 168 milhões utilizam smartphones.

Na hora do jantar, da lição de casa e de dormir estes aparelhos estão sempre presentes, as crianças com seus joguinhos e os adolescentes nas redes sociais. Como conter ou controlar a ‘onda’ hi-tech dessa geração?

Sempre digo aos pais que visitam o consultório: “A criança vê, a criança faz”. Por exemplo, na hora do jantar os pais têm o costume de fazer as refeições “conectados” aos seus smartphones e, junto a isso, assistem à televisão. Naturalmente, seus filhos irão entender que é comum manter os eletrônicos por perto o tempo todo.

Claro que a escola já permite e até incentiva o celular como um meio de aprendizagem, com vídeos interativos, aulas, informações gerais e muito mais. O uso da tecnologia já é uma realidade em praticamente todo o universo escolar. Mas isso tem que ser dosado, tanto no que diz respeito à educação quanto como lazer, entretenimento.

Na hora de dormir, não recomendo o uso dos eletrônicos. A luminosidade e os sons, por exemplo, ativam certas áreas do cérebro e despertam ainda mais a criança e o adolescente, justamente quando eles precisam se aquietar e dormir. Além disso, a qualidade do sono pode ser comprometida, sem o devido descanso.

Para os pequenos ainda não alfabetizados, vale a pena ler histórias e colocar uma música mais calma, e aos maiores e adolescentes, incentivar a leitura. Isso contribui para uma noite mais tranquila, relaxante e garante maior disposição no dia seguinte.

Com os pequenos, estas orientações são mais fáceis de serem seguidas e aceitas. Mas, a partir de uma certa idade, quando começam a entrar na adolescência, nossos filhos têm comportamentos diferentes, sobretudo quanto aos horários, estudos e uso da internet, do celular. Mais para uns, menos para outros. Como já fomos adolescentes, sabemos que é assim que funciona, não é mesmo?

Por isso, sempre ressalto que, ao contrário do que muitos pensam, adolescentes também devem manter uma rotina de consulta com o pediatra, não só para acompanhar o desenvolvimento e crescimento físico, como também psicoemocional nesta fase da vida – que agora incluímos também o uso indiscriminado das tecnologias.

Neste sentido, o que recomendo em meu consultório é que os pais fiquem atentos ao que acontece com seus filhos, que tenham um bom diálogo com eles, que divirtam-se e aprendam on e off-line juntos. Negocie tarefas, horários, deveres, horas para o lazer, para os estudos e a quantidade de tempo para acessar a internet. Adolescentes não gostam de compartilhar seu mundo virtual e a individualidade deles deve ser respeitada, mas não esqueça: criança vê, criança faz. E com os adolescentes é exatamente a mesma coisa.


Férias também é tempo para o check up nas crianças
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Dr. Sylvio Renan

FOTO BLOG PEDIATRA
Em julho, durante o recesso escolar, é importante que as crianças aproveitem o tempo livre para brincar, viajar e se divertir. Durante muitos anos de prática clínica, vejo que a atenção dos pais para o checkup infantil durante as férias tem crescido. E isso é bom: sinal de maior conscientização dos adultos para a atenção dos cuidados com a saúde dos filhos.

Agendar consultas médicas neste período tem algumas vantagens. Com mais tempo e a disponibilidade de horários das crianças e dos pais, uma avaliação mais detalhada pode exigir exames complementares, que com mais profundidade auxiliem um diagnóstico mais preciso. E, se for o caso, seguir algum tratamento mais específico.

Às vezes, é preciso recorrer a outros especialistas ou realizar exames laboratoriais e ainda remarcar o retorno ao pediatra. E tudo isso demanda tempo.

Por outro lado, casos corriqueiros, como intolerância a algum alimento, sinais na pele, dúvidas quanto ao crescimento ou ainda qualquer outra mudança física ou comportamental, poderão ser avaliados para eliminar certas preocupações naturais dos pais.

O tempo cada vez mais escasso e em um mundo que se torna mais dinâmico a cada dia, muitas vezes não permite olharmos com atenção às crianças. Por isso, vale a pena estabelecer uma agenda de cuidados médicos periódicos.

Lembre-se, serão apenas alguns dias durante as férias para planejar, ir ao médico e realizar todas as avaliações quando necessários. Enquanto que o maior tempo disponível será dedicado ao lazer e em aproveitar o free time com os pequenos, através de  brincadeiras, passeios e viagens, que são igualmente importantes para a saúde dos nossos filhos.


Vacine seu filho. Por ele. E por todos nós!
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Dr. Sylvio Renan

Vacine seu filho. Por ele. E por todos nós!

Vacine seu filho, por ele e por todos nós!

Algumas famílias ainda insistem em não vacinar suas crianças. Argumentam que há riscos e efeitos colaterais das vacinas. Há quase duas décadas alguns pais ainda persistem nisso.

Mas, ao não vacinar seus filhos, os deixam desprotegidos, e mais suscetível às doenças. As vacinas impedem a disseminação de doenças, são eficazes e salvam milhares e milhares de vidas.

Recentemente, um estudo divulgado pelo Journal of American Medical Association (JAMA) deixou isso bem claro. Os pesquisadores analisaram surtos de sarampo e coqueluche e descobriram que as pessoas não vacinadas eram a maioria dentre as que adoeceram. E a maioria estavam no grupo em que as famílias tinham decidido em não vacinar.

Além do sarampo e da coqueluche, doenças aparentemente erradicadas, poliomielite e difteria ainda estão em circulação em diversos países, com  agravo do quadro. Atualmente a ocorrência de inúmeros casos da gripe influenza, o vírus H1N1, vitimou adultos e crianças.

Quando os pais optam por não vacinar, contribuem para que um germe evitável ​​por vacinação se espalhe por toda a comunidade, seja um bairro ou uma cidade inteira.

Também vivemos em um mundo globalizado, onde percorrer longas distâncias é relativamente fácil. E um país ou outro pode não ter erradicado determinadas doenças. Se não estivermos em dia com a vacinação, corremos riscos por estarmos desprotegidos.

Algumas pessoas por razões específicas, como problemas imunológicos, por exemplo, não podem ser vacinadas. Mas estas, seja um familiar ou um amigo, precisam de pessoas saudáveis (e vacinadas) em torno delas, para que prossigam seus tratamentos e cuidados sem riscos externos.

Todo tratamento médico, assim como toda vacina, pode ter efeitos colaterais, secundários e incide em riscos. Ainda assim, as vacinas são imprescindíveis, para nossos filhos, para nós e para a sociedade.

Para saber mais sobre o assunto e o estudo publicado no JAMA, acesse os links abaixo (em inglês):

A verdade inconveniente sobre recusar a vacinação

Journal of American Medical Association (JAMA)

#H1N1

 

 


Brasil antecipa prevenção contra H1N1
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Dr. Sylvio Renan

Brasil antecipa combate ao vírus H1N1

Brasil antecipa prevenção contra  H1N1

 

As ameaças à saúde estão em todos os ambientes, por isso é necessário se informar e manter-se sempre alerta aos perigos invisíveis de alguns vírus, como o H1N1, por exemplo, conhecido com vírus influenza (tipo A).

O Influenza A/H1N1 é a combinação de 3 outros vírus: o da gripe comum, da gripe aviária e o da gripe suína.

No Brasil, há alguns anos são registrados numerosos de casos da gripe associada ao H1N1 e, infelizmente, com óbitos.

Em abril, o Ministério da Saúde começará a distribuir a vacina, e estará disponível também nas clínicas particulares.

Sintomas:

Fique atento aos sintomas causados pelo vírus H1N1/influenza (tipo A):
– Febre alta, acima de 38º, 39º, de início repentino;
– Dor muscular, de cabeça, de garganta e nas articulações;
– Irritação nos olhos, tosse, coriza, cansaço e inapetência;
Em alguns casos, também podem ocorrer vômitos e diarreia.

Previna-se!

Siga algumas recomendações dos principais órgãos de saúde internacionais:
– Lave sempre bem as mãos;
– Não reutilize lencinhos higiênicos;
– Evite o contato com pessoas infectadas;
– Não compartilhe objetos pessoais;
– Procure seu médico se surgirem sintomas do H1N1.

 

 


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