Blog do Pediatra

Arquivo : bebês

Como cuidar da saúde do bebê e da criança nos dias de Primavera
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

A estação mais colorida do ano chegou e, junto com ela, podem vir alguns problemas de saúde relacionados ao tempo seco, afetando principalmente os bebês e as crianças. As doenças mais comuns são crises alérgicas, catapora e conjuntivite.

Eu sempre recomendo aos pais dos meus pacientes que mantenham a hidratação através do uso de soro fisiológico nas narinas, somado a alta ingestão de líquidos em suas variadas formas: água, sucos ou papinhas de frutas.

A caxumba, catapora (varicela) e a rubéola são doenças infecciosas que mais causam preocupação nesta época do ano. Por isso, sempre enfatizo que todos em casa devem estar devidamente vacinados para manter a saúde em dia.

Entenda abaixo como se dão as alergias e infecções da estação:

Varicela (catapora) – causada pelo vírus Herpesvirus Varicellae, a doença acomete principalmente crianças entre idades de 1 e 4 anos. Os sintomas são febre, dores de cabeça, cansaço, falta de apetite e aparecimento de bolhas avermelhadas e ou feridas na pele, sendo o rosto e o tronco os mais afetados.

Caxumba – transmitida por contato direto com gotículas de saliva ou por pertences de pessoas infectadas pelo vírus Paramyxovirus, a doença provoca dores musculares, calafrios, febre, fraqueza e dificuldade em mastigar ou engolir.

Rinite alérgica – provocada pelos chamados alérgenos, o problema causa diversas reações como, nariz entupido, secreção clara, irritação e coceira nasal. O uso de umidificadores nos ambientes da casa ajuda a prevenir o problema e contribui para uma melhor noite de sono dos bebês e crianças.

Conjuntivite viral – altamente contagiosa, é provocada por agentes tóxicos, alergias, bactérias ou vírus. Os sintomas são olhos vermelhos, coceira, irritação e lacrimejamento. No caso do surgimento da doença é recomendável lavar os olhos e fazer compressas geladas para aliviar a irritação e a coceira, o uso de colírios deve ser prescrito pelo médico.

Rubéola – causada pelo Rubella Vírus, o contágio desta doença se dá por meio do espirro ou da tosse, podendo ser transmitida de pessoa para pessoa. E ainda, pode ser passada de mãe para filho na gestação. Os sintomas são erupções vermelhas na pele, febre, dores musculares e mal-estar constante. No caso de a doença se manifestar, por falta da prevenção pela vacinação, o médico deverá ser consultado para indicação de tratamento.

Sarampo – transmitida pelo vírus Morbillivirus, esta doença passa de pessoa para pessoa por meio de saliva (tosse, espirros e fala) e secreções nasais. Os sintomas são pequenas erupções na pele, de cor avermelhada, mal-estar, dores de cabeça e inflamação das vias respiratórias, com catarro.

Caso o seu filho apresente os sintomas de algumas das doenças citadas, procure o médico pediatra e evite que a criança entre em contato com mais pessoas. O Ministério da Saúde lançou no início do mês a Campanha Nacional de Multivacinação, em que as vacinas para algumas dessas patologias são aplicadas em indivíduos de até 15 anos.

Tais vacinas podem ser aplicadas tanto nos serviços de saúde oficiais, quanto em clínicas privadas.

Além da vacinação, também é necessário manter um ambiente saudável para os pequenos. Abra as janelas da casa para o ar circular e sempre a mantenha limpa, para evitar a entrada e o acúmulo de poeira.

A primavera é uma das estações mais bonitas do ano e merece ser aproveitada por todos! Seguindo as orientações médicas também pode ser uma estação sem grandes preocupações dos pais com a saúde de seus filhos.

Consulte sempre seu pediatra,
Dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros


Aprenda a manter seu bebê aquecido, seguro e saudável durante o inverno
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

O inverno mal começou e as dúvidas e preocupações com febre, gripe, resfriado, conjuntivite, dor de garganta e uma série de viroses respiratórias já é rotina para os pais. Geralmente, as temperaturas mais baixas indicam uma supervalorização da fragilidade dos pequenos a essas doenças e, para ajudar os pais, separei algumas dicas de cuidados que vão desde a roupinha até a alimentação mais adequada durante as baixas temperaturas:

1 – Manter o nariz limpo – Bebês com menos de 1 ano de idade tendem a respirar quase que exclusivamente pelo nariz e, por isso, é importante mantê-lo sempre limpo. O uso de soro fisiológico para a limpeza evita a desidratação e a formação de crostas no canal, além de impedir que agentes infecciosos que estão no ar entrem em contato com a mucosa e o organismo da criança.

2 – Banho do bebê – Nos dias mais frios, por mais que os pais queiram manter os bebês quentinhos, o banho não deve durar mais que 10 minutos e a temperatura da água não pode ultrapassar os 37°C; tudo isso para evitar o resfriamento do corpo do bebê e assim, os resfriados.

Ao preparar o banho, a dica é que os adultos pré-aqueçam o ambiente e mantenham portas e janelas fechadas, evitando correntes de ar. Deixem também a troca de roupa bem próxima para que o bebê não circule pela casa sem estar devidamente agasalhado.

3 – Como vestir o bebê – É importante que os pais fiquem atentos a escolha da roupinha, porque os pequenos transpiram bastante e a quantidade de roupa pode incomodá-los, tanto por estarem com calor como com frio. Às vezes, a irritação e o choro sem motivo aparente têm apenas uma causa: o excesso de roupas.

Na hora de dormir, mesmo sendo genuína a preocupação em agasalhar os filhos para que tenham um sono tranquilo e quentinho, os pais não devem deixar mantas ou gorros próximos ao bebê para evitar que durante a madrugada não sufoque no caso de acordar ou rolar no berço.

4 – Vacinação em dia – Nesta época do ano, com poucas chuvas e o ar mais seco, crianças e bebês são alvos comuns de gripes e resfriados devido ao organismo dos pequenos ainda ter um sistema imunológico imaturo. Se seu filho apresentar quadro febril, espirros, tosse e coriza por mais de 3 dias, consulte o pediatra para melhor avaliação e indicação de medicamento. Importante: nunca medique o seu filho antes de consultar o médico! Além disso, é imprescindível manter a vacinação em dia desde o primeiro mês do recém-nascido e para maximizar o potencial protetor para a criança.

5 – Aquecedores e vaporizadores – Para os pais que optam em usar aquecedores no quarto do bebê, não há problema em usar vaporizadores ou aquecedores a óleo, que mantém o ambiente quente sem ressecá-lo. Mas, vale lembrar que não é para transformar o quarto da criança em um verdadeiro forninho porque a temperatura alta não fará bem e ao transportar a criança para outros ambientes da casa, menos aquecidos, irão causar grande choque para os pequenos.

6 – Manter o quarto arejado – Quando a criança estiver fora do quarto, pais e cuidadores devem abrir as janelas e deixar o ar circular no ambiente, livrando-o de possíveis agentes infecciosos que ali tenham se alojado. Na hora de dormir, tudo fechado novamente.

É importante também manter a limpeza do quarto diariamente. Mas atenção, observe as informações nos rótulos dos produtos utilizados, uma vez que alguns contêm em sua fórmula alguns componentes químicos que podem agredir a criança. Na dúvida, fale com o seu pediatra.

7 – Higiene das mãos – Lavar bem as mãos das crianças é uma medida eficaz para prevenir resfriados e outras viroses. Principalmente, para as crianças em idade escolar que ficam em ambientes fechados, o que contribui para a transmissão de doenças por via aérea e também por agentes transmissores que ficam nas superfícies. Como prevenção, a higienização das mãos deve ser feita ao chegar da rua, da escola, antes das refeições, após ir ao banheiro ou quando tossir e espirrar.

Sempre reforço aos pais nas consultas, que o hábito de lavar as mãos começa na infância e, se educadas corretamente, as crianças o manterão por toda vida.

Tópico importante e quase sempre esquecido quando falamos em cuidados com bebês e crianças, é a saúde dos pais e cuidadores. Parece óbvio, mas acompanhei alguns casos de pais que não tinham, por exemplo, o hábito de lavar as mãos antes de segurar o pequeno.

Então, fica o alerta, os adultos também devem manter hábitos saudáveis não somente para a proteção de si mesmos, mas também do bebê ou criança com quem convivem.

De modo geral, os cuidados no inverno nada mais são que a intensificação dos cuidados que devem ser comuns em qualquer e toda época do ano, sempre com atenção redobrada a higiene, alimentação adequada, vacinação das crianças e a visita constante ao pediatra.


A pediatria nos últimos 40 anos
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

Foto por: Mary Efflandt Site: maryefflandtphotography.com

Foto por: Mary Efflandt Site: maryefflandtphotography.com

Após 40 anos de atuação na pediatria, sinto-me à vontade para descrever a evolução desta especialidade, graças ao desenvolvimento da medicina e da sociedade como um todo. Com o advento das novas tecnologias da saúde e da informação, não apenas os recursos diagnósticos e de tratamentos trouxeram novas oportunidades na condução de doenças antes sem cura ou de difícil manejo, como acresceram facilidades de acesso a informações e métodos de interação para pais e cuidadores, com os profissionais e com comunidades afins.

Há quatro décadas, o médico pediatra atuava como um clínico geral de crianças, diagnosticando e tratando praticamente todos os agravos, como doenças oncológicas, reumáticas, neurológicas, entre outras.

Com o desenvolvimento das subespecialidades, focadas no tratamento mais específico de doenças infantis, o atendimento do pediatra geral evoluiu no sentido da puericultura propriamente dita, fortalecendo outros laços dentro da clínica preventiva e de tratamentos gerais, passando a exercer um papel mais importante nos cuidados com as crianças e na orientação de pais e cuidadores, visando a formação de adultos saudáveis, dignos  e com qualidade de vida.

Apenas para exemplificar, temos como base as questões de hábitos nutricionais e de atividades físicas que visam conter o avanço da obesidade e doenças cardiovasculares.

Retornando ao advento tecnológico no tratamento médico, em que pudemos promover a diminuição sensível da morbimortalidade dos pequenos, podemos citar como exemplo a oncologia infantil, em que no passado o diagnóstico era tardio e o tratamento era basicamente restrito a sedativos e analgésicos paliativos, sem medicamentos efetivos que pudessem trazer a cura para os pacientes.

Apesar do conhecimento ampliado, diagnósticos precoces e acesso a tratamentos efetivos para diversas doenças graves, a maior evolução ocorreu no setor de imunizações, com a descoberta de métodos de preparação de antígenos protetores contra muitas doenças graves,  e comuns naquele tempo: poliomielite, tétano, tifo, varicela, sarampo, rubéola, meningites pneumocócicas, tuberculosas, meningocócicas, entre outras.

No que tange a informação dos pais, passamos da demorada consulta a livros e revistas para a quase imediata internet com seu universo praticamente inesgotável, o que sem dúvida abriu horizontes importantes para todos, não apenas para aquisição de conhecimento, como para a troca de experiências. Podemos dizer que a internet empoderou pais e cuidadores de forma positiva, ao mesmo tempo abrindo um mundo de dúvidas em que aumenta a importância da figura do médico, que não pode ser descartada para o correto diagnóstico e tratamento da criança.

A tecnologia, através de seus aplicativos de comunicação, também diminuiu a distância entre médicos e pacientes, que, hoje, através de simples toques em uma tecla, conseguem enviar fotos e vídeos para sanar dúvidas rápidas, outrora somente possíveis presencialmente no consultório. É, sem dúvida, um facilitador para ambos, mas que também abre oportunidades de análise sobre o bom uso destes recursos para o bem estar de todos os envolvidos.

Neste admirável mundo novo que vislumbro nos últimos 40 anos da pediatria, em que alguns de meus pacientes de ontem agora são pais e seus filhos meus pacientes, e no qual tenho clara a mudança de relacionamento e prática que tinha com seus pais e agora com eles e seus filhos, nos cabe imaginar como será a pediatria daqui a 40 anos.

 

Dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros – CRM SP-24699
Autor dos livros “Seu bebê em perguntas e respostas – Do nascimento aos 12 meses” e “Pediatria Hoje”Formado pela Faculdade de Medicina do ABC | Especializações e títulos pela Unifesp/EPM, Sociedade Brasileira de Pediatria e General Pediatric Service da University of California – Los Angeles (Ucla) | Atuou por quase 30 anos no Pronto Socorro Infantil Sabará e foi diretor técnico do Hospital São Leopoldo, cargo que deixou para se dedicar ao seu consultório e à literatura médica para leigos.


O tempo certo para a retirada das fraldas
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

fraldasdobebe
Um método para a retirada das fraldas dos bebês, difundido nos EUA, começa a ser debatido por aqui. Trata-se do “elimination comunication” (comunicação da eliminação, em inglês), e que consiste na observação dos sinais e sons que o bebê emite sempre que sente vontade de fazer suas necessidades.

Baseado nestes sinais, os pais conduzem o bebê (de meses) para um peniquinho para que ele faça as suas necessidades e assim se condicione a não mais fazer nas fraldas.

Embora nos EUA já até exista uma organização não governamental chamada Diaper Free Baby (Bebê livre de fralda, em inglês) que auxilia os pais na técnica, eu a questiono bastante e explico o motivo.

Além de ser pouco viável e prática nos dias de hoje para a execução dos pais, as crianças só começam a ter um controle neurológico de suas necessidades a partir dos 18 meses. Desta forma, esta antecipação da retirada da fralda por condicionamento tem pouca chance de dar resultado, além de poder, pela frustração dos pais frente a um provável insucesso, provocar uma obstipação de origem psicológica. Pela lógica, não são os pais que condicionam a criança, mas o bebê que condiciona os pais a levá-lo ao vaso sanitário sempre que quiser fazer cocô ou xixi.

Outro ponto importante está relacionado ao próprio afeto e cuidado com os pequenos. Tudo na fase de uma pessoa tem um momento e hora certa para acontecer, especialmente na infância. A prática dessa técnica faria com que a criança pulasse uma fase da vida, além de perder esse momento de afeto e contato próximo com os pais que é proporcionado no momento da troca da fralda.


Até que idade devo levar meu filho ao pediatra?
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

52448e376e5ac

Em meus mais de 30 anos de atuação na pediatria, seria difícil calcular o número exato de pacientes que já atendi. Posso dizer que, entre eles, tenho alguns cuja idade já ultrapassou a faixa etária recomendada para que uma pessoa recorra a um pediatra. Ainda chegam muitos adolescentes quase adultos ao meu consultório na busca da minha análise clínica.

A Pediatria é a medicina do ser em crescimento. Mas, afinal, até que idade os pais devem levar seus filhos ao pediatra?

Desde 1969, o Conselho Americano da Prática Pediátrica (Council of Pediatric Practice) aconselha que o acompanhamento com este profissional deve prosseguir até que o paciente complete 21 anos de idade. No entanto, muitas entidades, públicas ou privadas, estabelecem limites arbitrários, como 12, 14 ou 16 anos para o atendimento por pediatras. Lembrando ainda que dentro da área da pediatria existe uma subespecialidade, a hebiatria, que atende adolescentes, faixa etária pré-determinada entre os 13 e 21 anos.

Sendo assim, recomendo que as consultas para crianças até um ano de idade sejam realizadas mensalmente, já a partir do 2º ano de vida, a visita pode ser feita a cada três meses e, dos 2 ao 6 anos, a mesma deve acontecer semestralmente. Quando o paciente já estiver crescido, deve visitar o pediatra anualmente, e, a partir de então continuidade seus cuidados com a saúde com um clínico geral, anualmente, que o encaminhará para um especialista quando necessário. Assim como cada criança tem suas particularidades, nós adultos também, e há casos que fogem às regras, devido a alguns acometimentos que possam requerer mais visitas com um profissional.

Um dos motivos que faz com que, mesmo após os 21 anos, muitos ainda recorram ao pediatra – mesmo que seja apenas para pedir conselhos -, é justamente pela dificuldade da quebra do “cordão umbilical” na relação entre o médico e o paciente, devido a longa interação durante seu crescimento e maturidade. Muitos pediatras acabam se tornando parte da família da criança, sendo difícil essa “despedida”.

Para estes meus crescidinhos pacientes, sempre procuro me atualizar no sentido de me adequar às suas exigências, na maioria das vezes, muito mais na área afetiva e comportamental do que propriamente no tratamento de doenças físicas. Assim, é preciso aprender a ouvi-los e atender seus anseios. Particularmente, colaboro com conselhos e observações, deixando claro não estar assumindo a atuação médica em si, pois me considero sem competência e tempo para exercer tal atividade médica. Por isto, aconselho uma consulta com um clínico geral.

Por último, lembro e friso que nós pediatras, atualmente, estamos nos adequando para atender pequenos pacientes que provavelmente vão viver até 120 anos. Com este novo cenário, temos que nos esforçar para que eles vivam com boa qualidade de vida, através do acompanhamento pediátrico desde seu nascimento e com consultas preventivas e check-ups, orientando-os para que evitem condutas que possam ser prejudiciais para a sua saúde a curto e longo prazo.


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>