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Pais e educadores devem saber como prevenir a anafilaxia na escola
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Dr. Sylvio Renan

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A anafilaxia é uma grave reação alérgica que pode levar o indivíduo a óbito, ocasionado em decorrência da ingestão de alimentos, picadas de insetos, materiais produzidos com látex ou medicamentos. A reação pode ocorrer dentro de um minuto ou horas após a exposição a um alérgeno. São muitos os fatores que podem provocar tanto alergia como anafilaxia. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os quadros alérgicos vêm aumentando em todo o mundo e 25% dos casos de mortalidade por reação anafilática ocorrem na escola.

Além da atenção dos pais, educadores e funcionários das escolas também precisam saber identificar os sintomas, uma vez que é o local onde crianças e adolescentes passam a maior parte do dia.

Os principais sintomas da anafilaxia são urticárias na pele, inchaço, coceira ou vermelhidão, rouquidão súbita, edemas labiais, problemas gastrointestinais, respiratórios ou cardiovasculares [queda de pressão]. A reação alérgica aguda é subestimada por não ter nenhuma notificação obrigatória, o que torna difícil a validação de sua prevalência. Contudo, alguns artigos científicos apontam, em torno, de 4 a 50 casos por 100 mil pessoas.

O diagnóstico da anafilaxia é clínico. Por isso, os pais, assim como profissionais da escola, professores, coordenadores, diretores e responsáveis pelo transporte escolar devem ter o prévio conhecimento se a criança é alérgica, para contribuir com o rápido atendimento médico. É importante que as escolas tenham nas fichas dos alunos os registros de antecedentes de todas as doenças, assim como alergias. Ao mesmo tempo, ter a listagem das substâncias alérgenas. Relacionado a isso, vale lembrar que no ano passado a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou uma Resolução que obriga a informação na rotulagem em 17 principais grupos de alimentos e bebidas.

Anafilaxia na escola

Se a reação alérgica acontecer no ambiente escolar, os responsáveis devem transferir o paciente com urgência para o posto de atendimento médico mais próximo, para garantir melhores possibilidades de sobrevivência. Habitualmente, são utilizados corticosteróides e derivados de adrenalina, mas tais medicamentos devem ser aplicados por via parenteral (injeção ou cateter nas veias periféricas) e na dosagem correta, que varia de acordo com o peso da criança e/ou do adolescente.

O medicamento não pode ser aplicado por qualquer pessoa; apenas por profissionais habilitados/treinados. Caso a escola tenha uma equipe treinada para o atendimento emergencial e monitoração da situação até a chegada de socorro médico, essa então deverá prestar os primeiros socorros, de acordo com os protocolos.

Ter conhecimento da reação alérgica dos alunos e equipe devidamente treinada para situações emergenciais dentro das escolas é de extrema importância para prevenir tragédias, que podem ocorrer mesmo sob muita vigilância.

Para prevenção de casos graves de anafilaxia, a SBP produziu um “Guia Prático” para escolas e pais, que pode ser conferido aqui.

Anafilaxia X Asma

Sendo um capítulo à parte, as crianças asmáticas merecem atenção redobrada dos pais e profissionais da escola, pois nestes casos a reação pode ser ainda mais grave e fatal.

Especialistas em Alergia e Imunologia Pediátrica da SBP entregaram no início deste ano um abaixo-assinado ao Ministério da Saúde solicitando a disponibilização imediata da adrenalina injetável para pacientes com predisposição à anafilaxia e/ou asmáticos, que correm riscos de crises fatais fora do ambiente hospitalar. Saiba mais sobre a solicitação da SBP ao Ministério da Saúde aqui.

 


Dor de barriga e febre: o que elas podem ser?
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Dr. Sylvio Renan

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Que um bebê e uma criança adoecem com mais facilidade isso todo pai e mãe sabem. Mas, o que é inegável, são as dúvidas e, às vezes, o desespero que afligem estes pais em como identificar uma possível doença no seu filho.

Para tentar diminuir estas aflições, reuni algumas dicas sobre os sintomas que as crianças dão, como um sinal, um aviso: ‘não estou bem’.

Além do choro, característico de que algo está errado, há outros sinais importantes que indicam que o pequeno pode estar doentinho: a febre e a dor de barriga.

É importante esclarecer que a dor de barriga é absolutamente inexpressiva em bebê e, principalmente, em crianças maiores. Ela pode advir de uma contração muscular (basta lembrar os movimentos bruscos, as cambalhotas e as posturas assumidas pelas crianças), excesso de gases, contrações abdominais por alimentos inadequados, além, é claro, daquelas dores que passam logo após um carinho da mãe (as de origem psicoafetivas).

No entanto existem aquelas dorzinhas que são características de alguma doença. Estas, geralmente, vêm acompanhadas de febre, e não melhoram facilmente com medidas caseiras, além de terem uma tendência a aumentar com o passar do tempo.

Em relação à febre, esta é uma defesa do organismo frente a algum fator agressor, que, ao perceber que está sendo invadido, seja por fungos, bactérias, vírus ou corpos estranhos, aumenta sua produção de leucócitos (ou glóbulos brancos – células do sangue especializadas na defesa contra invasões), dirigindo-se ao local da agressão e iniciando o processo inflamatório visando destruir o invasor. Durante esta etapa, ocorre a liberação de pirógenos responsáveis pelo aumento da temperatura do organismo, o que aumenta o poder de ação dos glóbulos brancos.

Se considerarmos que os vírus e bactérias, quando invadem o organismo, provocam febre antes da instalação da doença a ponto de ser perceptível para diagnóstico médico, a consulta precoce ao profissional não antecipa o início do tratamento. O pediatra (ou outro profissional da medicina) somente prescreverá algum tratamento quando tiver bons indícios ou até a certeza do que está acontecendo com a criança. Dependendo da doença, os sintomas podem aparecer de 1 a 7 dias e, muitas vezes, o diagnóstico é possível somente após exames laboratoriais.

Para amenizar a dor de barriga e, principalmente, a febre, muitos pais recorrem a remedinhos da farmacinha caseira. Mas, afinal, isso é aconselhável? Importante dizer que se o pediatra já prescreveu uma determinada medicação em outras ocasiões, a mesma pode ser utilizada até que o médico seja contatado e informado quando ocorrer um novo sintoma.

Para cessar a febre, por exemplo, o pediatra habitualmente deixa com os pais a prescrição com a dose correta para cada criança, com indicação de antitérmicos que podem ser utilizados quando apresentar febre.

Existe uma tabela que muito auxilia os pais quando precisam recorrer ao pediatra em casos febris:

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Medicamentos podem provocar reações adversas, mesmo que não sejam ministrados em altas dosagens. Como alternativa, outra manobra que diminui a temperatura corporal é dar um banho morno, com temperatura aproximadamente 2ᴼ C abaixo da temperatura do corpo da criança naquele momento.

Contudo, vale frisar que qualquer medicação deve ser prescrita pelo pediatra. Ou outro médico, dependendo de cada caso.

 

 


Quanto o meu filho vai crescer?
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Dr. Sylvio Renan

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Uma das principais preocupações que afligem os pais e também os adolescentes que atendo em meu consultório está relacionada à altura. Esta apreensão é normal, principalmente entre os meninos que propagam a imagem de que homem tem que ter músculos, ser alto e atleta.

Recentemente, recebi uma dúvida de um garoto, de 14 anos, que queria saber até que altura iria crescer. Uma pergunta que me fez pensar sobre o assunto, muitas vezes questionado em consultas e conversas informais, e que me levou a escrever este post para o Blog.

Entre as dúvidas está a relação da taxa de crescimento com a puberdade, um período da adolescência com duração de dois a quatro anos, caracterizado por transformações biológicas, físicas e psíquicas. É nesta fase que acontece o crescimento esquelético linear, a alteração da forma e composição corporal, o desenvolvimento de órgãos e mudanças no sistema reprodutivo sexual.

Vou tomar como exemplo o questionamento do jovem. Ele tem 14 anos e apresenta uma altura de 1m84. Neste caso, projeta, através do gráfico de crescimento da NCHS, dos Estados Unidos (sigla em inglês para National Center for Health Statistics), uma altura final de cerca de 1m92.

No entanto, temos que considerar quando foi o início da puberdade deste jovem. Quanto mais precoce, menor será sua estatura final. Inversamente, quanto mais tardia, maior será seu crescimento.

Claro que outros fatores estão envolvidos, como a genética de cada um. Dificilmente uma criança de pais e avós com estaturas mais baixas terá uma altura muito superior que a de seus descendentes.

E como descobrir se há um déficit no crescimento do seu filho? Para fazer esta avaliação é necessário saber, antes de tudo e com precisão, a altura, o peso e a maturação sexual. Este processo será mais bem alinhado com o acompanhamento do pediatra da criança, que poderá avaliar se há ou não deficiência na curva de crescimento.

Mas atenção! Não há motivos para pânico se o seu filho é baixinho. O processo de crescimento é relativo de criança para criança e envolve estudo particular de caso a caso. Lembre-se, qualquer dúvida ou alerta de que algo está errado, converse abertamente com o seu pediatra.


O tempo certo para a retirada das fraldas
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Dr. Sylvio Renan

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Um método para a retirada das fraldas dos bebês, difundido nos EUA, começa a ser debatido por aqui. Trata-se do “elimination comunication” (comunicação da eliminação, em inglês), e que consiste na observação dos sinais e sons que o bebê emite sempre que sente vontade de fazer suas necessidades.

Baseado nestes sinais, os pais conduzem o bebê (de meses) para um peniquinho para que ele faça as suas necessidades e assim se condicione a não mais fazer nas fraldas.

Embora nos EUA já até exista uma organização não governamental chamada Diaper Free Baby (Bebê livre de fralda, em inglês) que auxilia os pais na técnica, eu a questiono bastante e explico o motivo.

Além de ser pouco viável e prática nos dias de hoje para a execução dos pais, as crianças só começam a ter um controle neurológico de suas necessidades a partir dos 18 meses. Desta forma, esta antecipação da retirada da fralda por condicionamento tem pouca chance de dar resultado, além de poder, pela frustração dos pais frente a um provável insucesso, provocar uma obstipação de origem psicológica. Pela lógica, não são os pais que condicionam a criança, mas o bebê que condiciona os pais a levá-lo ao vaso sanitário sempre que quiser fazer cocô ou xixi.

Outro ponto importante está relacionado ao próprio afeto e cuidado com os pequenos. Tudo na fase de uma pessoa tem um momento e hora certa para acontecer, especialmente na infância. A prática dessa técnica faria com que a criança pulasse uma fase da vida, além de perder esse momento de afeto e contato próximo com os pais que é proporcionado no momento da troca da fralda.


Como contribuir para a qualidade de vida de nossas crianças e jovens
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Dr. Sylvio Renan

pais e filhos

Com o avanço das tecnologias, as novas e múltiplas formas de comunicação sem fronteiras e a ampliação das tarefas e horas a cumprir de nossas demandas, tornam-se cada vez mais comum quadros de stress e ansiedade, não apenas nos indivíduos adultos, mas também nas crianças e adolescentes, sobrecarregadas pelo excesso de tarefas e informações.

Embora a qualidade de vida seja essencial em todas as idades, é nos primeiros ciclos que ela imprime papel de formação nos indivíduos, marcando-os de forma, muitas vezes, definitiva.

Visando auxiliar pais e cuidadores sobre a necessidade de atenção sobre este tópico, listei alguns itens para análise e prática com as crianças:

– Saúde emocional: Cuidar da saúde física é de extrema importância. No entanto, o que mais vemos atualmente são crianças com problemas relacionados à saúde emocional. Dar atenção aos sentimentos e comportamentos do seu filho e promover o diálogo franco, é essencial para identificar os problemas e propor soluções;

– Obrigações: Ouvir a criança antes de estipular tarefas e deveres é importante para que ele possa exprimir seus sentimentos. E não há lugar melhor para a criança desenvolver e praticar o diálogo do que na sua própria casa, com a sua família;

– Ambiente externo: Para uma criança estar bem física e emocionalmente, ela precisa estar inserida em um ambiente que proporcione calma, tranquilidade e momentos de prazer. Analise os seus meios de convivência e suas reações;

– Alimentação: É fato que as comidas industrializadas vieram solucionar a falta de tempo que temos para cozinhar nos dias atuais, mas fazer desta alimentação uma a rotina é assinar termo de ciência para o comprometimento da saúde de nossa família. Uma dica para fazer com que essa tarefa não fique sobrecarregada apenas a uma pessoa que já chega do trabalho cansada, é dividir o preparo da alimentação com os membros da casa. Além da ajuda, será um momento em que estarão juntos, contribuindo para estreitar os laços afetivos e familiares;

– Atividades físicas: São muitos os atrativos tecnológicos, como os tabletes, computadores e videogames que prendem as crianças nas horas vagas, fazendo-as verdadeiras sedentárias. Mas praticar exercícios físicos é essencial para a saúde do baixinho em curto, médio e longo prazo, já que uma vida ativa vai repercutir também na sua fase adulta. A melhor forma de estimular a criança é sendo o seu exemplo. Uma dica: separe um dia no parque para andar de bicicleta ou pratique uma atividade, como a natação, com o pequeno.

– Organize o tempo: A vida agitada e multitarefa faz com que os ponteiros do relógio não perdoem ninguém, nem mesmo as crianças. Para ajudar seu filho a cumprir todas as suas obrigações do dia, ajude-o a organizar seu tempo. Uma dica é estipular horários para cada dever.

Lembre-se, a saúde e educação de nossas crianças e adolescentes estão em nossas mãos e estão entre nossos deveres para com eles. Com a atenção e os cuidados necessários, eles serão adultos felizes, saudáveis, gratos aos seus pais e generosos com a sociedade em que vivem.


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