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Dia Mundial do Rim: Obesidade e Doença Renal Crônica
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Dr. Sylvio Renan

Março é o mês em que se comemora o #DiaMundialDoRim, e a Doença Renal Crônica (DRC) ganha atenção especial. A falha no funcionamento dos rins pode ocorrer na infância, ocasionada por hereditariedade, diabetes ou ainda devido ao sobrepeso e à obesidade.

Em 2016, a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) apresentou uma pesquisa onde confirma que, no Brasil, aproximadamente 1/3 das crianças de 5 a 9 anos de idade está com excesso de peso. Projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam ainda que até 2025 o número de crianças nessas condições pode chegar a 75 milhões.

Para a médica Maria Cristina de Andrade, nefrologista pediátrica da MBA Pediatria e da UNIFESP, indivíduos obesos têm uma hiperfiltração compensatória para equilibrar seu metabolismo, e esse esforço dos rins pode acarretar o desenvolvimento da Doença Renal Crônica, definida pela presença de lesão e/ou pela perda da função renal.

As DRCs não são curáveis e seus portadores podem precisar de cuidados para o resto de suas vidas. Além disso, a doença poder evoluir para insuficiência renal, requerendo diálise ou transplante de rins no futuro. O mau funcionamento dos rins afeta o desenvolvimento físico, intelectual, emocional e social, principalmente nas crianças, além de causar morbidade em quase todos os órgãos do corpo humano.

Outros problemas de saúde desencadeados pela Doença Renal Crônica são as cardiovasculares, que precisam de cuidados específicos. Da mesma forma, quando associada ao sobrepeso e à obesidade, que nestes casos podem ter como medida de prevenção primária hábitos que melhores a qualidade de vida do paciente, tais como a prática de atividade física e alimentação adequada desde a tenra idade.

Para a nefropediatra, é fundamental também que bebês, crianças e adolescentes consumam menos produtos industrializados, como refrigerantes e fast-foods, além do acompanhamento pediátrico periódico.

A função do #DiaMundialDoRim e das campanhas promovidas por diversas entidades nacionais e internacionais ligadas ao tema é conscientizar pais, cuidadores, educadores e profissionais de saúde para os problemas decorrentes da enfermidade. Dada a epidemia de obesidade e sobrepeso entre crianças e adolescentes, a prevenção em seus primeiros estágios possibilitará a avaliação precoce e, consequentemente, o melhor tratamento para a saúde do paciente.

*Com colaboração da Dra. Maria Cristina de Andrade – CRM 55067/SP
Autora do livro “Nefrologia para Pediatras”, mestre e doutora em pediatria pela Unifesp/EPM, especialista em pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria, com área de atuação em Nefrologia Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e Sociedade Brasileira de Pediatria.



Dia Mundial do Rim foca atenção na criança
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Dr. Sylvio Renan

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Dia Mundial do Rim

 

Em 10 de março é comemorado o #DiaMundialdoRim, que este ano tem como foco a criança. A mensagem: “Prevenção da doença renal começa na infância”, foi motivada pelo aumento de diagnósticos de doenças relacionadas às crianças e ao fato de que grande parte das doenças renais acometem milhares de pessoas em todo o mundo terem origem na infância.

A Draº Maria Cristina, nefrologista pediátrica da MBA Pediatria e da UNIFESP, alerta que embora todos os alvos de atenção estejam focados na epidemia de doenças relacionadas à dengue, não podemos descuidar da necessidade de atendimento de outras doenças, como a Doença Renal Crônica (DRC).

“Nas crianças, a partir do nascimento até os 4 anos de idade, a insuficiência renal tem como causa a hereditariedade, como doença policística dos rins, ou quando o bebê nasce com apenas um rim ou com rins com estruturas anormais. Dos 5 aos 14 anos, além dos aspectos hereditários, podem ocorrer infecções, síndrome nefrótica (conjunto de sintomas devido a perda de proteína na urina e água e sal com retenção no corpo), doenças sistêmicas (lúpus, por exemplo) e bloqueio de urina ou de refluxo (problemas do trato urinário e na bexiga). Dos 15 aos 19 anos a maior incidência ocorre devido a doenças nos glomérulos, a unidade funcional dos rins”, explica Draº Maria Cristina.

É importante lembrar que os danos nos rins são evitáveis e, por isso mesmo, é imprescindível campanhas educativas que consigam o diagnóstico precoce e os devidos tratamentos em tempo hábil, especialmente no caso das crianças, pois as doenças renais infantis, se não tratadas, evoluem na fase adulta para seu estágio final, com consequências que atrapalham a qualidade de vida e podem culminar na morte precoce.

Por se tratar de uma doença complexa, os aspectos econômicos também são consideráveis, sobretudo quando estamos presenciando uma retração das economias globais, sem uma expectativa promissora para o futuro.

Estatísticamente, 1 em cada 10 pessoas tem algum grau de DRC. O crescimento e a constância de casos de doenças renais tem aumentado os custos dos tratamentos, representando um fardo para os sistemas de saúde em todo o mundo, incluindo no Brasil.

A Draº Maria Cristina acrescenta que “somos uma sociedade miscigenada, com variada composição étnica, em grande parte formada por afrodescentes e índios – grupos de maior prevalência da doença, assim como mulheres e idosos. Como em todo mundo, os idosos estão compondo a maior parte da nossa pirâmide social, e as mulheres hoje têm importante papel no mercado de trabalho. Se pensarmos em previdência e em pessoas economicamente ativas, temos um problema para solucionar hoje e ainda mais no futuro. Daí pensar na prevenção desde a infância, até mesmo como modelo sustentável do ponto de vista econômico”, descreve a nefropediatra da MBA Pediatria.

Pesquisando mais sobre o assunto, encontrei e da National Kidney Foundation, organização norte-americana para a conscientização, prevenção e tratamento da doença renal, que revela que o tratamento da DRC custa mais que os de câncer colo, pulmão e mama juntos! Também lá nos Estados Unidos, o tratamento da DRC ultrapassa os US$ 48 bilhões por ano, consumindo 6,7% do orçamento total do sistema de saúde americano, para tratar menos de 1% da população coberta.

Na Austrália, a estimativa é de US $ 12 bilhões; na China, a economia vai perder US$ 558 bilhões na próxima década devido a mortalidade e incapacidade das pessoas com doenças cardiovasculares e renais crônicas; no nosso vizinho Uruguai, o custo anual de diálise é de cerca de US$ 23 milhões. Pior ainda o que acontece em muitos países africanos, onde há pouco ou nenhum acesso ao tratamento e as pessoas simplesmente morrem.

No grupo de países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, mais de 1 milhão de pessoas morrem todos os anos de insuficiência renal não tratada.

Ao escolher como tema global para o Dia Mundial do Rim de 2016 – “Prevenção da doença renal começa na infância” -, colocamos como prioridade a responsabilidade de todos os serviços públicos e particulares de enfatizar o alerta à população para a adoção de hábitos saudáveis desde a infância, para proteger o pequeno e o futuro adulto que ele será.

A Drº Maria Cristina Andrade, minha parceira em prol das crianças avisa: “A doença renal crônica em crianças traz consequências devastadoras para o crescimento e o desenvolvimento cerebral. Mas, se diagnosticada a tempo, é possível adotar medidas apropriadas para que a doença seja retardada”, concluí a nefropediatra.

Sobre a Doença Renal Crônica (DRC), lembre-se:
As DRCs não são curáveis e seus portadores podem precisar de cuidados para o resto de suas vidas;
Se não for detectada e tratada precocemente, a DRC pode evoluir para insuficiência renal, o que pode requerer diálise ou transplante no futuro;
As Doenças Renais Crônicas desencadeiam outros problemas de saúde, como doenças cardiovasculares (ataques cardíacos e derrames);
O tratamento da DRC é de alta complexidade, caro e trabalhoso;
A doença renal crônica precoce não tem sinais ou sintomas iniciais;

Principais cuidados com os pequenos e lembrete para os adultos:
Urine constantemente. Nada de segurar o xixi!
Evite alimentos com muito sódio (encontrados em produtos industrializados, embutidos, condimentados em geral) que sobrecarregam os rins, dificultando o seu funcionamento;
Os rins filtram os resíduos e fluidos extras do sangue e mantém o equilíbrio químico do corpo;
Os rins ajudam a controlar a pressão arterial e a manter os ossos saudáveis;

Lembre-se: Para todos os casos, a prevenção sempre é o melhor remédio. Cuide bem do seu pequeno.
Drº Sylvio Renan


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