Blog do Pediatra

Arquivo : crianças

Dia Mundial do Rim: Obesidade e Doença Renal Crônica
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

Março é o mês em que se comemora o #DiaMundialDoRim, e a Doença Renal Crônica (DRC) ganha atenção especial. A falha no funcionamento dos rins pode ocorrer na infância, ocasionada por hereditariedade, diabetes ou ainda devido ao sobrepeso e à obesidade.

Em 2016, a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) apresentou uma pesquisa onde confirma que, no Brasil, aproximadamente 1/3 das crianças de 5 a 9 anos de idade está com excesso de peso. Projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam ainda que até 2025 o número de crianças nessas condições pode chegar a 75 milhões.

Para a médica Maria Cristina de Andrade, nefrologista pediátrica da MBA Pediatria e da UNIFESP, indivíduos obesos têm uma hiperfiltração compensatória para equilibrar seu metabolismo, e esse esforço dos rins pode acarretar o desenvolvimento da Doença Renal Crônica, definida pela presença de lesão e/ou pela perda da função renal.

As DRCs não são curáveis e seus portadores podem precisar de cuidados para o resto de suas vidas. Além disso, a doença poder evoluir para insuficiência renal, requerendo diálise ou transplante de rins no futuro. O mau funcionamento dos rins afeta o desenvolvimento físico, intelectual, emocional e social, principalmente nas crianças, além de causar morbidade em quase todos os órgãos do corpo humano.

Outros problemas de saúde desencadeados pela Doença Renal Crônica são as cardiovasculares, que precisam de cuidados específicos. Da mesma forma, quando associada ao sobrepeso e à obesidade, que nestes casos podem ter como medida de prevenção primária hábitos que melhores a qualidade de vida do paciente, tais como a prática de atividade física e alimentação adequada desde a tenra idade.

Para a nefropediatra, é fundamental também que bebês, crianças e adolescentes consumam menos produtos industrializados, como refrigerantes e fast-foods, além do acompanhamento pediátrico periódico.

A função do #DiaMundialDoRim e das campanhas promovidas por diversas entidades nacionais e internacionais ligadas ao tema é conscientizar pais, cuidadores, educadores e profissionais de saúde para os problemas decorrentes da enfermidade. Dada a epidemia de obesidade e sobrepeso entre crianças e adolescentes, a prevenção em seus primeiros estágios possibilitará a avaliação precoce e, consequentemente, o melhor tratamento para a saúde do paciente.

*Com colaboração da Dra. Maria Cristina de Andrade – CRM 55067/SP
Autora do livro “Nefrologia para Pediatras”, mestre e doutora em pediatria pela Unifesp/EPM, especialista em pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria, com área de atuação em Nefrologia Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e Sociedade Brasileira de Pediatria.



Catarata e glaucoma em crianças sob uso prolongado de corticosteroides
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

Oftalmo_Nefro

A nefropediatra Maria Cristina Andrade, da clínica da MBA Pediatria e mestre e doutora em pediatria pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), apresentou recentemente uma importante pesquisa desenvolvida pelo Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

O Departamento de Oftalmologia avaliou 30 pacientes pediátricos, com média de 11 a 14 anos de idade, do ambulatório de Nefrologia Pediátrica da mesma Universidade. Conforme a especialista, a pesquisa verificou casos de catarata e glaucoma em crianças com síndrome nefrótica sob tratamento contínuo com corticoide.

A Síndrome Nefrótica é uma doença caracterizada por eliminação exagerada de proteínas na urina (proteinúria). A probabilidade é de 16 casos para cada 100.000 crianças e o tratamento geralmente requer corticoterapia sistêmica em altas doses e por tempo prolongado. Por isso, o estudo sugere uma relação entre corticoterapia e maior risco de desenvolvimento de catarata e glaucoma.

Os pesquisadores observaram que os efeitos colaterais dos corticoides na síndrome nefrótica, a longo prazo, são consequências de elevadas doses e tratamento prolongado, além da susceptibilidade individual dos pacientes. O impacto da catarata e glaucoma no desenvolvimento visual de crianças necessita de exame oftalmológico, primordialmente, quando sob uso prolongado de corticosteroides sistêmicos.

Já se sabe que em adultos o uso prolongado de corticosteroides pode causar catarata subcapsular posterior (SCP) e nuclear, exoftalmo (protuberância do olho para fora da órbita), e/ou aumento da pressão intraocular (PIO), que pode resultar em glaucoma ou causar danos ao nervo óptico. Os efeitos de corticosteroides na fisiopatologia são similares nas populações adulta e pediátrica.

Embora não possibilite a real correlação entre efeitos colaterais com dose e tempo de tratamento, o estudo revelou uma alta prevalência de catarata subcapsular (15%), possibilitando ainda a elevação da pressão intraocular numa porcentagem significativa de pacientes sob corticoterapia sistêmica, o que sugere que tais crianças tenham mais risco de desenvolver catarata.

Por fim, é importante que pais, cuidadores e mesmo educadores fiquem atentos à saúde da criança, que deve realizar exames de rotina no período estabelecido pelo pediatra, conforme a idade.


O melhor presente de Natal é o amor
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

 

NATAL4

Uma das datas mais aguardadas pelos pequenos, sem dúvida, é o Natal. Isso porque, infelizmente, a ideia dos muitos presentes deixados pelo Papai Noel domina a cabecinha deles devido à cultura do consumismo tão veiculada na mídia.

A missão natalina de pais e mães deve ser reaproximar as crianças do verdadeiro significado do Natal, relembrá-los que amor e carinho são os melhores presentes para a família crescer em harmonia e permanecer unida, não importando as situações que virão.

Para tanto, que tal uma noite cheia de atividades que trabalhem os valores de gratidão, amor e união? Por exemplo, se os seus pequenos já sabem escrever, os incentive a fazer cartões de agradecimento, onde cada um coloca pelo que é grato. Vale qualquer coisa. IMPORTANTE: todo mundo deve participar, pois, ao ver os pais envolvidos na mesma atividade, os pequenos tendem a fixar o momento na memória.

Para os mais agitados, os pais podem promover uma “caça ao Papai Noel”, pistas deixadas pela casa podem levar até onde o velhinho deixou o saco de presentes ou estacionou o trenó. Ao voltar para o ponto de partida, geralmente a árvore de Natal, #tcharam!, lá estão os presentes e… OPA! Um gorro de Papai Noel!

Outra opção de divertimento com as crianças na época de Natal é a leitura de histórias natalinas ao pé da árvore. Essa pode ser uma solução para acalmar os ânimos “pós-presentes”, ou ainda para encerrar a noite de festa de um modo calmo e carinhoso.

O que vale nessa missão de pais e mães, especialmente no Natal, é estar presente. Isso não significa dar um brinquedo enorme ou o que a criança pediu; significa abraçar, dizer “eu te amo” e brincar junto.

Representa ainda um momento importante onde é possível fazer com que seus filhos entendam que o Natal, acima de tudo e do consumismo puro, é uma data para celebrar a união, o amor, a inclusão, o acolhimento, o respeito ao próximo. Enfim, isso também é presentão indelével para o futuro das nossas crianças e adolescentes.


A pediatria nos últimos 40 anos
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

Foto por: Mary Efflandt Site: maryefflandtphotography.com

Foto por: Mary Efflandt Site: maryefflandtphotography.com

Após 40 anos de atuação na pediatria, sinto-me à vontade para descrever a evolução desta especialidade, graças ao desenvolvimento da medicina e da sociedade como um todo. Com o advento das novas tecnologias da saúde e da informação, não apenas os recursos diagnósticos e de tratamentos trouxeram novas oportunidades na condução de doenças antes sem cura ou de difícil manejo, como acresceram facilidades de acesso a informações e métodos de interação para pais e cuidadores, com os profissionais e com comunidades afins.

Há quatro décadas, o médico pediatra atuava como um clínico geral de crianças, diagnosticando e tratando praticamente todos os agravos, como doenças oncológicas, reumáticas, neurológicas, entre outras.

Com o desenvolvimento das subespecialidades, focadas no tratamento mais específico de doenças infantis, o atendimento do pediatra geral evoluiu no sentido da puericultura propriamente dita, fortalecendo outros laços dentro da clínica preventiva e de tratamentos gerais, passando a exercer um papel mais importante nos cuidados com as crianças e na orientação de pais e cuidadores, visando a formação de adultos saudáveis, dignos  e com qualidade de vida.

Apenas para exemplificar, temos como base as questões de hábitos nutricionais e de atividades físicas que visam conter o avanço da obesidade e doenças cardiovasculares.

Retornando ao advento tecnológico no tratamento médico, em que pudemos promover a diminuição sensível da morbimortalidade dos pequenos, podemos citar como exemplo a oncologia infantil, em que no passado o diagnóstico era tardio e o tratamento era basicamente restrito a sedativos e analgésicos paliativos, sem medicamentos efetivos que pudessem trazer a cura para os pacientes.

Apesar do conhecimento ampliado, diagnósticos precoces e acesso a tratamentos efetivos para diversas doenças graves, a maior evolução ocorreu no setor de imunizações, com a descoberta de métodos de preparação de antígenos protetores contra muitas doenças graves,  e comuns naquele tempo: poliomielite, tétano, tifo, varicela, sarampo, rubéola, meningites pneumocócicas, tuberculosas, meningocócicas, entre outras.

No que tange a informação dos pais, passamos da demorada consulta a livros e revistas para a quase imediata internet com seu universo praticamente inesgotável, o que sem dúvida abriu horizontes importantes para todos, não apenas para aquisição de conhecimento, como para a troca de experiências. Podemos dizer que a internet empoderou pais e cuidadores de forma positiva, ao mesmo tempo abrindo um mundo de dúvidas em que aumenta a importância da figura do médico, que não pode ser descartada para o correto diagnóstico e tratamento da criança.

A tecnologia, através de seus aplicativos de comunicação, também diminuiu a distância entre médicos e pacientes, que, hoje, através de simples toques em uma tecla, conseguem enviar fotos e vídeos para sanar dúvidas rápidas, outrora somente possíveis presencialmente no consultório. É, sem dúvida, um facilitador para ambos, mas que também abre oportunidades de análise sobre o bom uso destes recursos para o bem estar de todos os envolvidos.

Neste admirável mundo novo que vislumbro nos últimos 40 anos da pediatria, em que alguns de meus pacientes de ontem agora são pais e seus filhos meus pacientes, e no qual tenho clara a mudança de relacionamento e prática que tinha com seus pais e agora com eles e seus filhos, nos cabe imaginar como será a pediatria daqui a 40 anos.

 

Dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros – CRM SP-24699
Autor dos livros “Seu bebê em perguntas e respostas – Do nascimento aos 12 meses” e “Pediatria Hoje”Formado pela Faculdade de Medicina do ABC | Especializações e títulos pela Unifesp/EPM, Sociedade Brasileira de Pediatria e General Pediatric Service da University of California – Los Angeles (Ucla) | Atuou por quase 30 anos no Pronto Socorro Infantil Sabará e foi diretor técnico do Hospital São Leopoldo, cargo que deixou para se dedicar ao seu consultório e à literatura médica para leigos.


Pais, filhos e a internet
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

O uso das tecnologias no dia-a-dia de crianças e adolescentes 

O uso das tecnologias no dia-a-dia de crianças e adolescentes 

Geralmente, a rotina de uma família é: acordar os filhos, levá-los ao colégio, seguir para o trabalho, buscar as crianças e voltar para casa. Teoricamente, nesta “última” fase do dia, crianças e adolescentes brincam com os pais, fazem as lições de casa, tomam banho, jantam e, então, hora de dormir, certo? Bom, para algumas famílias este cotidiano mudou um pouco nos últimos anos.

Cada vez mais, é comum smartphones e tablets como acessório particular da garotada, o que faz com que o roteiro narrado acima tenha se modificado, pelo menos para a grande maioria. E não é pra menos: no Brasil, 50% dos lares têm acesso à internet e 168 milhões utilizam smartphones.

Na hora do jantar, da lição de casa e de dormir estes aparelhos estão sempre presentes, as crianças com seus joguinhos e os adolescentes nas redes sociais. Como conter ou controlar a ‘onda’ hi-tech dessa geração?

Sempre digo aos pais que visitam o consultório: “A criança vê, a criança faz”. Por exemplo, na hora do jantar os pais têm o costume de fazer as refeições “conectados” aos seus smartphones e, junto a isso, assistem à televisão. Naturalmente, seus filhos irão entender que é comum manter os eletrônicos por perto o tempo todo.

Claro que a escola já permite e até incentiva o celular como um meio de aprendizagem, com vídeos interativos, aulas, informações gerais e muito mais. O uso da tecnologia já é uma realidade em praticamente todo o universo escolar. Mas isso tem que ser dosado, tanto no que diz respeito à educação quanto como lazer, entretenimento.

Na hora de dormir, não recomendo o uso dos eletrônicos. A luminosidade e os sons, por exemplo, ativam certas áreas do cérebro e despertam ainda mais a criança e o adolescente, justamente quando eles precisam se aquietar e dormir. Além disso, a qualidade do sono pode ser comprometida, sem o devido descanso.

Para os pequenos ainda não alfabetizados, vale a pena ler histórias e colocar uma música mais calma, e aos maiores e adolescentes, incentivar a leitura. Isso contribui para uma noite mais tranquila, relaxante e garante maior disposição no dia seguinte.

Com os pequenos, estas orientações são mais fáceis de serem seguidas e aceitas. Mas, a partir de uma certa idade, quando começam a entrar na adolescência, nossos filhos têm comportamentos diferentes, sobretudo quanto aos horários, estudos e uso da internet, do celular. Mais para uns, menos para outros. Como já fomos adolescentes, sabemos que é assim que funciona, não é mesmo?

Por isso, sempre ressalto que, ao contrário do que muitos pensam, adolescentes também devem manter uma rotina de consulta com o pediatra, não só para acompanhar o desenvolvimento e crescimento físico, como também psicoemocional nesta fase da vida – que agora incluímos também o uso indiscriminado das tecnologias.

Neste sentido, o que recomendo em meu consultório é que os pais fiquem atentos ao que acontece com seus filhos, que tenham um bom diálogo com eles, que divirtam-se e aprendam on e off-line juntos. Negocie tarefas, horários, deveres, horas para o lazer, para os estudos e a quantidade de tempo para acessar a internet. Adolescentes não gostam de compartilhar seu mundo virtual e a individualidade deles deve ser respeitada, mas não esqueça: criança vê, criança faz. E com os adolescentes é exatamente a mesma coisa.


Férias também é tempo para o check up nas crianças
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

FOTO BLOG PEDIATRA
Em julho, durante o recesso escolar, é importante que as crianças aproveitem o tempo livre para brincar, viajar e se divertir. Durante muitos anos de prática clínica, vejo que a atenção dos pais para o checkup infantil durante as férias tem crescido. E isso é bom: sinal de maior conscientização dos adultos para a atenção dos cuidados com a saúde dos filhos.

Agendar consultas médicas neste período tem algumas vantagens. Com mais tempo e a disponibilidade de horários das crianças e dos pais, uma avaliação mais detalhada pode exigir exames complementares, que com mais profundidade auxiliem um diagnóstico mais preciso. E, se for o caso, seguir algum tratamento mais específico.

Às vezes, é preciso recorrer a outros especialistas ou realizar exames laboratoriais e ainda remarcar o retorno ao pediatra. E tudo isso demanda tempo.

Por outro lado, casos corriqueiros, como intolerância a algum alimento, sinais na pele, dúvidas quanto ao crescimento ou ainda qualquer outra mudança física ou comportamental, poderão ser avaliados para eliminar certas preocupações naturais dos pais.

O tempo cada vez mais escasso e em um mundo que se torna mais dinâmico a cada dia, muitas vezes não permite olharmos com atenção às crianças. Por isso, vale a pena estabelecer uma agenda de cuidados médicos periódicos.

Lembre-se, serão apenas alguns dias durante as férias para planejar, ir ao médico e realizar todas as avaliações quando necessários. Enquanto que o maior tempo disponível será dedicado ao lazer e em aproveitar o free time com os pequenos, através de  brincadeiras, passeios e viagens, que são igualmente importantes para a saúde dos nossos filhos.


Pais e educadores devem saber como prevenir a anafilaxia na escola
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

BLOGDOPEDIATRA

A anafilaxia é uma grave reação alérgica que pode levar o indivíduo a óbito, ocasionado em decorrência da ingestão de alimentos, picadas de insetos, materiais produzidos com látex ou medicamentos. A reação pode ocorrer dentro de um minuto ou horas após a exposição a um alérgeno. São muitos os fatores que podem provocar tanto alergia como anafilaxia. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os quadros alérgicos vêm aumentando em todo o mundo e 25% dos casos de mortalidade por reação anafilática ocorrem na escola.

Além da atenção dos pais, educadores e funcionários das escolas também precisam saber identificar os sintomas, uma vez que é o local onde crianças e adolescentes passam a maior parte do dia.

Os principais sintomas da anafilaxia são urticárias na pele, inchaço, coceira ou vermelhidão, rouquidão súbita, edemas labiais, problemas gastrointestinais, respiratórios ou cardiovasculares [queda de pressão]. A reação alérgica aguda é subestimada por não ter nenhuma notificação obrigatória, o que torna difícil a validação de sua prevalência. Contudo, alguns artigos científicos apontam, em torno, de 4 a 50 casos por 100 mil pessoas.

O diagnóstico da anafilaxia é clínico. Por isso, os pais, assim como profissionais da escola, professores, coordenadores, diretores e responsáveis pelo transporte escolar devem ter o prévio conhecimento se a criança é alérgica, para contribuir com o rápido atendimento médico. É importante que as escolas tenham nas fichas dos alunos os registros de antecedentes de todas as doenças, assim como alergias. Ao mesmo tempo, ter a listagem das substâncias alérgenas. Relacionado a isso, vale lembrar que no ano passado a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou uma Resolução que obriga a informação na rotulagem em 17 principais grupos de alimentos e bebidas.

Anafilaxia na escola

Se a reação alérgica acontecer no ambiente escolar, os responsáveis devem transferir o paciente com urgência para o posto de atendimento médico mais próximo, para garantir melhores possibilidades de sobrevivência. Habitualmente, são utilizados corticosteróides e derivados de adrenalina, mas tais medicamentos devem ser aplicados por via parenteral (injeção ou cateter nas veias periféricas) e na dosagem correta, que varia de acordo com o peso da criança e/ou do adolescente.

O medicamento não pode ser aplicado por qualquer pessoa; apenas por profissionais habilitados/treinados. Caso a escola tenha uma equipe treinada para o atendimento emergencial e monitoração da situação até a chegada de socorro médico, essa então deverá prestar os primeiros socorros, de acordo com os protocolos.

Ter conhecimento da reação alérgica dos alunos e equipe devidamente treinada para situações emergenciais dentro das escolas é de extrema importância para prevenir tragédias, que podem ocorrer mesmo sob muita vigilância.

Para prevenção de casos graves de anafilaxia, a SBP produziu um “Guia Prático” para escolas e pais, que pode ser conferido aqui.

Anafilaxia X Asma

Sendo um capítulo à parte, as crianças asmáticas merecem atenção redobrada dos pais e profissionais da escola, pois nestes casos a reação pode ser ainda mais grave e fatal.

Especialistas em Alergia e Imunologia Pediátrica da SBP entregaram no início deste ano um abaixo-assinado ao Ministério da Saúde solicitando a disponibilização imediata da adrenalina injetável para pacientes com predisposição à anafilaxia e/ou asmáticos, que correm riscos de crises fatais fora do ambiente hospitalar. Saiba mais sobre a solicitação da SBP ao Ministério da Saúde aqui.

 


Vacine seu filho. Por ele. E por todos nós!
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

Vacine seu filho. Por ele. E por todos nós!

Vacine seu filho, por ele e por todos nós!

Algumas famílias ainda insistem em não vacinar suas crianças. Argumentam que há riscos e efeitos colaterais das vacinas. Há quase duas décadas alguns pais ainda persistem nisso.

Mas, ao não vacinar seus filhos, os deixam desprotegidos, e mais suscetível às doenças. As vacinas impedem a disseminação de doenças, são eficazes e salvam milhares e milhares de vidas.

Recentemente, um estudo divulgado pelo Journal of American Medical Association (JAMA) deixou isso bem claro. Os pesquisadores analisaram surtos de sarampo e coqueluche e descobriram que as pessoas não vacinadas eram a maioria dentre as que adoeceram. E a maioria estavam no grupo em que as famílias tinham decidido em não vacinar.

Além do sarampo e da coqueluche, doenças aparentemente erradicadas, poliomielite e difteria ainda estão em circulação em diversos países, com  agravo do quadro. Atualmente a ocorrência de inúmeros casos da gripe influenza, o vírus H1N1, vitimou adultos e crianças.

Quando os pais optam por não vacinar, contribuem para que um germe evitável ​​por vacinação se espalhe por toda a comunidade, seja um bairro ou uma cidade inteira.

Também vivemos em um mundo globalizado, onde percorrer longas distâncias é relativamente fácil. E um país ou outro pode não ter erradicado determinadas doenças. Se não estivermos em dia com a vacinação, corremos riscos por estarmos desprotegidos.

Algumas pessoas por razões específicas, como problemas imunológicos, por exemplo, não podem ser vacinadas. Mas estas, seja um familiar ou um amigo, precisam de pessoas saudáveis (e vacinadas) em torno delas, para que prossigam seus tratamentos e cuidados sem riscos externos.

Todo tratamento médico, assim como toda vacina, pode ter efeitos colaterais, secundários e incide em riscos. Ainda assim, as vacinas são imprescindíveis, para nossos filhos, para nós e para a sociedade.

Para saber mais sobre o assunto e o estudo publicado no JAMA, acesse os links abaixo (em inglês):

A verdade inconveniente sobre recusar a vacinação

Journal of American Medical Association (JAMA)

#H1N1

 

 


Calendário de Vacinação 2016: entenda a mudança e como proceder
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

O ano de 2016 começou com algumas mudanças no Calendário Nacional de Vacinação, divulgado no início de janeiro pelo Ministério da Saúde, que determinou alterações nas aplicações de vacinas de prevenção ao HPV, poliomielite, meningite e pneumonia. Segundo o Ministério da Saúde, as mudanças ocorreram por causa de alterações da situação epidemiológica e por atualização na indicação das vacinas, estas determinadas conforme a idade e a quantidade de doses.

Estudos comprovam a eficácia da imunização através das doses anteriores, em que as reduções de doses atuais não possuem nenhum fundamento científico publicado, tendo apenas o tempo a seu favor ou não, – para, assim, ser avaliada como influenciará na saúde destas crianças no futuro.

O Ministério da Saúde garante que a redução das doses não compromete a eficácia das vacinas e que as mesmas terão a mesma proteção. Também reitera que a medida não tem relação com o corte de gastos do governo para a área da saúde.

Dúvidas dos profissionais e dos pais

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) garante que não há motivos para temer ao novo calendário de vacinação e que tudo foi feito após pesquisas científicas e que toda mudança se adequa a uma nova realidade.

Apesar das dúvidas em relação às novas medidas, apenas o tempo mostrará as consequências, sejam positivas ou negativas. Cabe aos pais tomarem a melhor decisão pensando na saúde de seus filhos: eles podem aderir às novas doses estabelecidas pelo Ministério da Saúde ou manter a vacinação praticada anteriormente em consultórios particulares e com médicos que ainda procedem desta maneira.

MBA - Vacina

 

HPV

Quanto à vacina HPV, há uma certa turbulência de opiniões quanto aos vários esquemas de aplicação. Minha opinião pessoal é que tais divergências somente serão dirimidas após alguns anos, quando se poderá avaliar se qual esquema é o ideal, através da diminuição dos casos de câncer de colo de útero em cada tipo de esquema estabelecido.

Poliomielite

Com a diminuição acentuada (quase extensão) da poliomielite em nosso planeta, passou-se a optar pelo uso da vacina contra poliomielite injetável (Salk), no lugar da oral (Sabin). Embora a vacina Sabin tenha mais eficiência que a Salk, a opção por esta última se deveu ao seu menor risco de complicações.

Pneumonia

Desde o surgimento desta vacina, alguns países, como o Brasil, optaram pelo sistema de 3 doses no primeiro ano de vida, com um reforço aos 18 meses. Outros países, entretanto, optaram por 2 aplicações no primeiro ano de vida, com um reforço aos 18 meses.

Após um grande período de avaliações, concluiu-se que ambos os sistemas de aplicações tem praticamente a mesma efetividade. Assim, o SUS decidiu por este esquema.

Meningite

A única alteração quanto ao esquema de aplicações foi a antecipação da dose de reforço de 15 para 12 meses.


O tempo certo para a retirada das fraldas
Comentários Comente

Dr. Sylvio Renan

fraldasdobebe
Um método para a retirada das fraldas dos bebês, difundido nos EUA, começa a ser debatido por aqui. Trata-se do “elimination comunication” (comunicação da eliminação, em inglês), e que consiste na observação dos sinais e sons que o bebê emite sempre que sente vontade de fazer suas necessidades.

Baseado nestes sinais, os pais conduzem o bebê (de meses) para um peniquinho para que ele faça as suas necessidades e assim se condicione a não mais fazer nas fraldas.

Embora nos EUA já até exista uma organização não governamental chamada Diaper Free Baby (Bebê livre de fralda, em inglês) que auxilia os pais na técnica, eu a questiono bastante e explico o motivo.

Além de ser pouco viável e prática nos dias de hoje para a execução dos pais, as crianças só começam a ter um controle neurológico de suas necessidades a partir dos 18 meses. Desta forma, esta antecipação da retirada da fralda por condicionamento tem pouca chance de dar resultado, além de poder, pela frustração dos pais frente a um provável insucesso, provocar uma obstipação de origem psicológica. Pela lógica, não são os pais que condicionam a criança, mas o bebê que condiciona os pais a levá-lo ao vaso sanitário sempre que quiser fazer cocô ou xixi.

Outro ponto importante está relacionado ao próprio afeto e cuidado com os pequenos. Tudo na fase de uma pessoa tem um momento e hora certa para acontecer, especialmente na infância. A prática dessa técnica faria com que a criança pulasse uma fase da vida, além de perder esse momento de afeto e contato próximo com os pais que é proporcionado no momento da troca da fralda.