Blog do Pediatra http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br O objetivo deste blog é fornecer informações básicas relacionadas à área da pediatria. Wed, 08 Mar 2017 20:57:00 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Dia Mundial do Rim: Obesidade e Doença Renal Crônica http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2017/03/08/dia-mundial-do-rim-obesidade-e-doenca-renal-cronica/ http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2017/03/08/dia-mundial-do-rim-obesidade-e-doenca-renal-cronica/#respond Wed, 08 Mar 2017 20:44:42 +0000 http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/?p=465

Março é o mês em que se comemora o #DiaMundialDoRim, e a Doença Renal Crônica (DRC) ganha atenção especial. A falha no funcionamento dos rins pode ocorrer na infância, ocasionada por hereditariedade, diabetes ou ainda devido ao sobrepeso e à obesidade.

Em 2016, a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) apresentou uma pesquisa onde confirma que, no Brasil, aproximadamente 1/3 das crianças de 5 a 9 anos de idade está com excesso de peso. Projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam ainda que até 2025 o número de crianças nessas condições pode chegar a 75 milhões.

Para a médica Maria Cristina de Andrade, nefrologista pediátrica da MBA Pediatria e da UNIFESP, indivíduos obesos têm uma hiperfiltração compensatória para equilibrar seu metabolismo, e esse esforço dos rins pode acarretar o desenvolvimento da Doença Renal Crônica, definida pela presença de lesão e/ou pela perda da função renal.

As DRCs não são curáveis e seus portadores podem precisar de cuidados para o resto de suas vidas. Além disso, a doença poder evoluir para insuficiência renal, requerendo diálise ou transplante de rins no futuro. O mau funcionamento dos rins afeta o desenvolvimento físico, intelectual, emocional e social, principalmente nas crianças, além de causar morbidade em quase todos os órgãos do corpo humano.

Outros problemas de saúde desencadeados pela Doença Renal Crônica são as cardiovasculares, que precisam de cuidados específicos. Da mesma forma, quando associada ao sobrepeso e à obesidade, que nestes casos podem ter como medida de prevenção primária hábitos que melhores a qualidade de vida do paciente, tais como a prática de atividade física e alimentação adequada desde a tenra idade.

Para a nefropediatra, é fundamental também que bebês, crianças e adolescentes consumam menos produtos industrializados, como refrigerantes e fast-foods, além do acompanhamento pediátrico periódico.

A função do #DiaMundialDoRim e das campanhas promovidas por diversas entidades nacionais e internacionais ligadas ao tema é conscientizar pais, cuidadores, educadores e profissionais de saúde para os problemas decorrentes da enfermidade. Dada a epidemia de obesidade e sobrepeso entre crianças e adolescentes, a prevenção em seus primeiros estágios possibilitará a avaliação precoce e, consequentemente, o melhor tratamento para a saúde do paciente.

*Com colaboração da Dra. Maria Cristina de Andrade – CRM 55067/SP
Autora do livro “Nefrologia para Pediatras”, mestre e doutora em pediatria pela Unifesp/EPM, especialista em pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria, com área de atuação em Nefrologia Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e Sociedade Brasileira de Pediatria.


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Carnaval: 7 dicas para se divertir com as crianças http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2017/02/14/carnaval-7-dicas-para-se-divertir-com-as-criancas/ http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2017/02/14/carnaval-7-dicas-para-se-divertir-com-as-criancas/#respond Tue, 14 Feb 2017 13:51:11 +0000 http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/?p=449 Children Playing in Confetti

Carnaval com as crianças | FOTO:divulgação

Se “rir é o melhor remédio”, brincar o Carnaval com os pequenos é o que eu mais indico. Porém, sempre com alguns cuidados especiais.

Super-heróis, heroínas, monstras e príncipes tomam conta da bagunça. Aos pais, cabe invariavelmente o papel de vigias. Vale a descontração e empolgação das crianças e também algumas dicas:

Veja as principais recomendações aos pais, cuidadores e responsáveis:

1- Localização: algumas famílias têm o costume de brincar o Carnaval nos blocos de rua ou em clubes. Na rua, a ótima notícia é que existem bloquinhos pensados justamente para as crianças e que atendem aos requisitos de segurança, como não permitir a passagem de carros, a realização em horários que respeitam o sono dos pequenos e com estrutura confiável de apoio aos pais – banheiros, trocadores e refrigeração adequada dos alimentos e bebidas oferecidos.

Muito clubes, sobretudo nas matinês, tomam o cuidado com os decibéis emitidos, no intuito de preservar a audição das crianças.

Mais tradicionais, no Rio de Janeiro e em São Paulo acontecem os desfiles das escolas de samba do primeiro e do segundo grupos. Os sambódromos não permitem a entrada de crianças menores de 5 anos, também visando preservar a integridade do sistema auditivo dos pequenos.

Acima desta idade, e até os 12 anos, é permitida a entrada somente na companhia dos pais ou do responsável legal.

Os pais podem providenciar também pulseiras de identificação para as crianças e adolescentes, com o nome e um telefone para contato.

2- Som: O que seria do Carnaval sem as tradicionais marchinhas? Ou as músicas do momento que embalam as crianças em ritmos diversos? Pois é, nada! Mas, atenção: menores de 2 anos ainda têm os tímpanos muito sensíveis e a música alta e constante se torna prejudicial. Para os maiores, mesmo que já “soltinhos”, não é recomendável permanecer próximo às caixas de som, evitando assim posterior dor de cabeça ou no ouvido.

3 – Confete e Serpentina: colorir é a palavra chave do Carnaval. A cidade cinza e o clima sério da rotina de trabalho dão lugar a serpentina e ao confete. Os pequenos adoram soprar e jogar esses adereços, e não é preciso restringir para os maiores de 6 anos. Para os menores, evite ou controle, pois é comum que levem à boca.

4 – Spray: crianças adoram algo diferente. O sprays e tintas coloridas ou em espuma fazem a alegria da molecada. No entanto, antes de deixá-los brincar à vontade com esses adereços é essencial ler a embalagem dos produtos e certificar-se de que não são tóxicos e a base de álcool, como recomendado pela Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

5- Fantasia: a ONG Criança Segura alerta para o cuidado na compra ou confecção de fantasias que tenham adereços pendurados ou de fácil estouro, como botões, por exemplo. A preocupação é, de novo, com os menores que ainda adoram colocar o que veem na boca. Outra observação importante da ONG é com o zíper das roupas, que podem dar uma ‘beliscada’ na pele. A recomendação é colocar uma proteção, por exemplo, uma camisetinha.

6- Alimentação: não custa salientar, tanto para os pais veteranos quanto aos novatos: privilegie uma alimentação saudável, com frutas e alimentos mais leves. Na hora de comer, opte por oferecer saladas, com legumes e verduras. Salada de frutas também é rica em carboidrato e as frutas ricas em líquido também garantem uma hidratação extra. Dê preferência à melancia, melão, abacaxi e mexerica. Com o calor, os alimentos gordurosos e aqueles vendidos nas ruas ou clubes podem fazer mal à criança.

É extremamente recomendável a ingestão de líquido (preferencialmente água). Mantenha sempre seu filho bem hidratado.

7 – Exposição ao Sol: segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, bebês com menos de 6 meses não devem usar protetor solar, uma vez que o organismo ainda não está amadurecido para lidar com os componentes químicos da fórmula. Nesse quesito entram também os repelentes. Crianças acima de 2 anos de idade podem usar protetores e repelentes específicos e recomendados pelos órgãos de saúde e seus pediatras.

No Carnaval, pequenos e pequenas de várias idades são abraçados pela folia saudável, um festejo com fantasia, música e muita diversão com amiguinhos e familiares.

Não vale a pena perder tudo isso por imprudência, não é? Então, siga estas recomendações e bom Carnaval a todos!

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Catarata e glaucoma em crianças sob uso prolongado de corticosteroides http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2017/01/23/catarata-e-glaucoma-em-criancas-sob-uso-prolongado-de-corticosteroides/ http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2017/01/23/catarata-e-glaucoma-em-criancas-sob-uso-prolongado-de-corticosteroides/#respond Mon, 23 Jan 2017 21:32:50 +0000 http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/?p=442 Oftalmo_Nefro

A nefropediatra Maria Cristina Andrade, da clínica da MBA Pediatria e mestre e doutora em pediatria pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), apresentou recentemente uma importante pesquisa desenvolvida pelo Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

O Departamento de Oftalmologia avaliou 30 pacientes pediátricos, com média de 11 a 14 anos de idade, do ambulatório de Nefrologia Pediátrica da mesma Universidade. Conforme a especialista, a pesquisa verificou casos de catarata e glaucoma em crianças com síndrome nefrótica sob tratamento contínuo com corticoide.

A Síndrome Nefrótica é uma doença caracterizada por eliminação exagerada de proteínas na urina (proteinúria). A probabilidade é de 16 casos para cada 100.000 crianças e o tratamento geralmente requer corticoterapia sistêmica em altas doses e por tempo prolongado. Por isso, o estudo sugere uma relação entre corticoterapia e maior risco de desenvolvimento de catarata e glaucoma.

Os pesquisadores observaram que os efeitos colaterais dos corticoides na síndrome nefrótica, a longo prazo, são consequências de elevadas doses e tratamento prolongado, além da susceptibilidade individual dos pacientes. O impacto da catarata e glaucoma no desenvolvimento visual de crianças necessita de exame oftalmológico, primordialmente, quando sob uso prolongado de corticosteroides sistêmicos.

Já se sabe que em adultos o uso prolongado de corticosteroides pode causar catarata subcapsular posterior (SCP) e nuclear, exoftalmo (protuberância do olho para fora da órbita), e/ou aumento da pressão intraocular (PIO), que pode resultar em glaucoma ou causar danos ao nervo óptico. Os efeitos de corticosteroides na fisiopatologia são similares nas populações adulta e pediátrica.

Embora não possibilite a real correlação entre efeitos colaterais com dose e tempo de tratamento, o estudo revelou uma alta prevalência de catarata subcapsular (15%), possibilitando ainda a elevação da pressão intraocular numa porcentagem significativa de pacientes sob corticoterapia sistêmica, o que sugere que tais crianças tenham mais risco de desenvolver catarata.

Por fim, é importante que pais, cuidadores e mesmo educadores fiquem atentos à saúde da criança, que deve realizar exames de rotina no período estabelecido pelo pediatra, conforme a idade.

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O fator de maior proteção para seu bebê nesse verão é o bom senso http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2017/01/11/o-fator-de-maior-protecao-para-seu-bebe-nesse-verao-e-o-bom-senso/ http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2017/01/11/o-fator-de-maior-protecao-para-seu-bebe-nesse-verao-e-o-bom-senso/#respond Wed, 11 Jan 2017 11:48:07 +0000 http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/?p=431 FOTO: reprodução da internet

FOTO: reprodução da internet

Dias cada vez mais quentes estão no cronograma do verão 2017, ano com as prováveis maiores altas de temperatura já registradas. E isso significa proteger a si e aos seus pequenos do calorão e dos fortes raios solares.

Geralmente, nesses dias sem brisa e abafados, alguns bebês apresentam indisposição e até mau-humor e, em alguns casos, podem aparecer erupções na pele e assaduras nas dobrinhas do corpo por conta do calor.

O que eu sempre oriento aqui no consultório é que os pais observem a si mesmos para proteger seus pequenos. Ora, se os adultos estão com muito calor, os pequenos também. É o caso de investir em roupas leves e banhos mais frescos e demorados, para que o corpo troque de temperatura.

Outra preocupação muito comum de papais e mamães é quanto ao uso dos protetores solares. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, bebês com menos de 6 meses não devem usar o produto, uma vez que o organismo ainda não está amadurecido para lidar com os componentes químicos da fórmula.

Nesse quesito entram também os repelentes, método preventivo que permeia a ânsia dos familiares em proteger os pequenos, principalmente quando das epidemias transmitidas por mosquitos e demais insetos – todos contra o aedes aegypti, OK!

MOSQUITOS2017

Especificamente sobre os repelentes, vale conferir o texto elaborado pelo Departamento Científico de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. Nele você encontra as principais recomendações para a proteção das crianças do mosquito Aedes aegypti, das doenças que ele transmite e os repelentes indicados para cada fase de desenvolvimento da criança (incluindo durante a gestação). Acesse AQUI.

No entanto, para proteger seus bebês, acima de tudo, é preciso bom senso. Se o bebê com menos de 6 meses não pode usar protetor solar por não ter ainda o organismo preparado, fica entendido que ele também não está preparado para a exposição extrema ao sol, não é?

A recomendação é promover passeio curtos, no carrinho ou no colo, e apenas durante o horário anterior às 10 horas da manhã e depois das 16h. Ainda assim, mais uma vez, avalie sempre a necessidade do passeio e a saúde do seu filho.

Converse com seu pediatra caso ocorra algum incidente com seus pequenos associado a protetores solares e repelentes. É bom que se tenha em mente que o pediatra pode auxiliar com propriedade a escolher  o melhor produto para proteger seu filho, seja do sol forte, seja de mosquitos e demais insetos.

Continue aproveitando as férias com a criançada. E lembre-se: o fator de maior proteção para seu bebê nesse verão é o bom senso!

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O melhor presente de Natal é o amor http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2016/12/16/o-melhor-presente-de-natal-e-o-amor/ http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2016/12/16/o-melhor-presente-de-natal-e-o-amor/#respond Fri, 16 Dec 2016 20:00:04 +0000 http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/?p=420  

NATAL4

Uma das datas mais aguardadas pelos pequenos, sem dúvida, é o Natal. Isso porque, infelizmente, a ideia dos muitos presentes deixados pelo Papai Noel domina a cabecinha deles devido à cultura do consumismo tão veiculada na mídia.

A missão natalina de pais e mães deve ser reaproximar as crianças do verdadeiro significado do Natal, relembrá-los que amor e carinho são os melhores presentes para a família crescer em harmonia e permanecer unida, não importando as situações que virão.

Para tanto, que tal uma noite cheia de atividades que trabalhem os valores de gratidão, amor e união? Por exemplo, se os seus pequenos já sabem escrever, os incentive a fazer cartões de agradecimento, onde cada um coloca pelo que é grato. Vale qualquer coisa. IMPORTANTE: todo mundo deve participar, pois, ao ver os pais envolvidos na mesma atividade, os pequenos tendem a fixar o momento na memória.

Para os mais agitados, os pais podem promover uma “caça ao Papai Noel”, pistas deixadas pela casa podem levar até onde o velhinho deixou o saco de presentes ou estacionou o trenó. Ao voltar para o ponto de partida, geralmente a árvore de Natal, #tcharam!, lá estão os presentes e… OPA! Um gorro de Papai Noel!

Outra opção de divertimento com as crianças na época de Natal é a leitura de histórias natalinas ao pé da árvore. Essa pode ser uma solução para acalmar os ânimos “pós-presentes”, ou ainda para encerrar a noite de festa de um modo calmo e carinhoso.

O que vale nessa missão de pais e mães, especialmente no Natal, é estar presente. Isso não significa dar um brinquedo enorme ou o que a criança pediu; significa abraçar, dizer “eu te amo” e brincar junto.

Representa ainda um momento importante onde é possível fazer com que seus filhos entendam que o Natal, acima de tudo e do consumismo puro, é uma data para celebrar a união, o amor, a inclusão, o acolhimento, o respeito ao próximo. Enfim, isso também é presentão indelével para o futuro das nossas crianças e adolescentes.

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A pediatria nos últimos 40 anos http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2016/11/25/a-pediatria-nos-ultimos-40-anos/ http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2016/11/25/a-pediatria-nos-ultimos-40-anos/#respond Fri, 25 Nov 2016 18:54:15 +0000 http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/?p=399 Foto por: Mary Efflandt Site: maryefflandtphotography.com

Foto por: Mary Efflandt Site: maryefflandtphotography.com

Após 40 anos de atuação na pediatria, sinto-me à vontade para descrever a evolução desta especialidade, graças ao desenvolvimento da medicina e da sociedade como um todo. Com o advento das novas tecnologias da saúde e da informação, não apenas os recursos diagnósticos e de tratamentos trouxeram novas oportunidades na condução de doenças antes sem cura ou de difícil manejo, como acresceram facilidades de acesso a informações e métodos de interação para pais e cuidadores, com os profissionais e com comunidades afins.

Há quatro décadas, o médico pediatra atuava como um clínico geral de crianças, diagnosticando e tratando praticamente todos os agravos, como doenças oncológicas, reumáticas, neurológicas, entre outras.

Com o desenvolvimento das subespecialidades, focadas no tratamento mais específico de doenças infantis, o atendimento do pediatra geral evoluiu no sentido da puericultura propriamente dita, fortalecendo outros laços dentro da clínica preventiva e de tratamentos gerais, passando a exercer um papel mais importante nos cuidados com as crianças e na orientação de pais e cuidadores, visando a formação de adultos saudáveis, dignos  e com qualidade de vida.

Apenas para exemplificar, temos como base as questões de hábitos nutricionais e de atividades físicas que visam conter o avanço da obesidade e doenças cardiovasculares.

Retornando ao advento tecnológico no tratamento médico, em que pudemos promover a diminuição sensível da morbimortalidade dos pequenos, podemos citar como exemplo a oncologia infantil, em que no passado o diagnóstico era tardio e o tratamento era basicamente restrito a sedativos e analgésicos paliativos, sem medicamentos efetivos que pudessem trazer a cura para os pacientes.

Apesar do conhecimento ampliado, diagnósticos precoces e acesso a tratamentos efetivos para diversas doenças graves, a maior evolução ocorreu no setor de imunizações, com a descoberta de métodos de preparação de antígenos protetores contra muitas doenças graves,  e comuns naquele tempo: poliomielite, tétano, tifo, varicela, sarampo, rubéola, meningites pneumocócicas, tuberculosas, meningocócicas, entre outras.

No que tange a informação dos pais, passamos da demorada consulta a livros e revistas para a quase imediata internet com seu universo praticamente inesgotável, o que sem dúvida abriu horizontes importantes para todos, não apenas para aquisição de conhecimento, como para a troca de experiências. Podemos dizer que a internet empoderou pais e cuidadores de forma positiva, ao mesmo tempo abrindo um mundo de dúvidas em que aumenta a importância da figura do médico, que não pode ser descartada para o correto diagnóstico e tratamento da criança.

A tecnologia, através de seus aplicativos de comunicação, também diminuiu a distância entre médicos e pacientes, que, hoje, através de simples toques em uma tecla, conseguem enviar fotos e vídeos para sanar dúvidas rápidas, outrora somente possíveis presencialmente no consultório. É, sem dúvida, um facilitador para ambos, mas que também abre oportunidades de análise sobre o bom uso destes recursos para o bem estar de todos os envolvidos.

Neste admirável mundo novo que vislumbro nos últimos 40 anos da pediatria, em que alguns de meus pacientes de ontem agora são pais e seus filhos meus pacientes, e no qual tenho clara a mudança de relacionamento e prática que tinha com seus pais e agora com eles e seus filhos, nos cabe imaginar como será a pediatria daqui a 40 anos.

 

Dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros – CRM SP-24699
Autor dos livros “Seu bebê em perguntas e respostas – Do nascimento aos 12 meses” e “Pediatria Hoje”Formado pela Faculdade de Medicina do ABC | Especializações e títulos pela Unifesp/EPM, Sociedade Brasileira de Pediatria e General Pediatric Service da University of California – Los Angeles (Ucla) | Atuou por quase 30 anos no Pronto Socorro Infantil Sabará e foi diretor técnico do Hospital São Leopoldo, cargo que deixou para se dedicar ao seu consultório e à literatura médica para leigos.

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Pais, filhos e a internet http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2016/08/29/pais-filhos-e-a-internet/ http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2016/08/29/pais-filhos-e-a-internet/#respond Mon, 29 Aug 2016 20:26:49 +0000 http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/?p=384 O uso das tecnologias no dia-a-dia de crianças e adolescentes 

O uso das tecnologias no dia-a-dia de crianças e adolescentes 

Geralmente, a rotina de uma família é: acordar os filhos, levá-los ao colégio, seguir para o trabalho, buscar as crianças e voltar para casa. Teoricamente, nesta “última” fase do dia, crianças e adolescentes brincam com os pais, fazem as lições de casa, tomam banho, jantam e, então, hora de dormir, certo? Bom, para algumas famílias este cotidiano mudou um pouco nos últimos anos.

Cada vez mais, é comum smartphones e tablets como acessório particular da garotada, o que faz com que o roteiro narrado acima tenha se modificado, pelo menos para a grande maioria. E não é pra menos: no Brasil, 50% dos lares têm acesso à internet e 168 milhões utilizam smartphones.

Na hora do jantar, da lição de casa e de dormir estes aparelhos estão sempre presentes, as crianças com seus joguinhos e os adolescentes nas redes sociais. Como conter ou controlar a ‘onda’ hi-tech dessa geração?

Sempre digo aos pais que visitam o consultório: “A criança vê, a criança faz”. Por exemplo, na hora do jantar os pais têm o costume de fazer as refeições “conectados” aos seus smartphones e, junto a isso, assistem à televisão. Naturalmente, seus filhos irão entender que é comum manter os eletrônicos por perto o tempo todo.

Claro que a escola já permite e até incentiva o celular como um meio de aprendizagem, com vídeos interativos, aulas, informações gerais e muito mais. O uso da tecnologia já é uma realidade em praticamente todo o universo escolar. Mas isso tem que ser dosado, tanto no que diz respeito à educação quanto como lazer, entretenimento.

Na hora de dormir, não recomendo o uso dos eletrônicos. A luminosidade e os sons, por exemplo, ativam certas áreas do cérebro e despertam ainda mais a criança e o adolescente, justamente quando eles precisam se aquietar e dormir. Além disso, a qualidade do sono pode ser comprometida, sem o devido descanso.

Para os pequenos ainda não alfabetizados, vale a pena ler histórias e colocar uma música mais calma, e aos maiores e adolescentes, incentivar a leitura. Isso contribui para uma noite mais tranquila, relaxante e garante maior disposição no dia seguinte.

Com os pequenos, estas orientações são mais fáceis de serem seguidas e aceitas. Mas, a partir de uma certa idade, quando começam a entrar na adolescência, nossos filhos têm comportamentos diferentes, sobretudo quanto aos horários, estudos e uso da internet, do celular. Mais para uns, menos para outros. Como já fomos adolescentes, sabemos que é assim que funciona, não é mesmo?

Por isso, sempre ressalto que, ao contrário do que muitos pensam, adolescentes também devem manter uma rotina de consulta com o pediatra, não só para acompanhar o desenvolvimento e crescimento físico, como também psicoemocional nesta fase da vida – que agora incluímos também o uso indiscriminado das tecnologias.

Neste sentido, o que recomendo em meu consultório é que os pais fiquem atentos ao que acontece com seus filhos, que tenham um bom diálogo com eles, que divirtam-se e aprendam on e off-line juntos. Negocie tarefas, horários, deveres, horas para o lazer, para os estudos e a quantidade de tempo para acessar a internet. Adolescentes não gostam de compartilhar seu mundo virtual e a individualidade deles deve ser respeitada, mas não esqueça: criança vê, criança faz. E com os adolescentes é exatamente a mesma coisa.

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Dia Mundial da Amamentação: Aleitamento Materno http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2016/08/01/374/ http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2016/08/01/374/#respond Mon, 01 Aug 2016 21:41:49 +0000 http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/?p=374 Hoje é comemorado o Dia Mundial da Amamentação, onde irei explicar porque algumas mães optam por não amamentar e outras passam pelo desmame precoce. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), em associação com a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o aleitamento materno é fundamental nos primeiros seis meses de vida das crianças. Nesta fase é necessário apenas o leite materno como alimento. Contudo, há algumas mães que não desejam amamentar, e outras não conseguem por falta de leite.

O que é recomendado em casos como estes e como nós pediatras devemos orientar as mães a lidarem com essas situações sem prejudicar a saúde dos bebês? Além de a amamentação proporcionar diversos benefícios para os bebês e para as mães, este é o alimento mais completo e equilibrado que existe no início da vida, e contribui para a boa formação do sistema imunológico de uma criança. Para as mães, por outro lado, é um modo de prevenção de doenças cardiovasculares e de alguns tipos de cânceres, e ainda colabora para uma perda de peso mais rápida.

O fato de algumas mães optarem por não amamentar ocorre por inúmeras razões, como não sentir vontade, medo de não fazer direito, dor, preservação dos seios, depressão pós-parto ou crença familiar, que é o que ocorre quando algum parente próximo relata uma má experiência ou julga o ato desnecessário e, desta forma, influencia a lactante.

Para a mulher, essa fase pode conter muitas dúvidas e inseguranças. Neste período, é importante o apoio do pai da criança e da família de ambos, que devem cercar a mãe de muito carinho, ajuda e incentivo para o aleitamento materno. Eu como pediatra tenho como função convencer as mamães, após o parto, que o leite materno é a forma mais natural, barata e nutritiva para oferecer ao seu bebê.

Caso a decisão de não amamentar já tenha sido tomada, nós profissionais devemos orientar a mãe de que forma poderá substituir o alimento, seja pelo leite industrializado ou fórmulas derivadas do mesmo, com retirada de nutrientes menos adequados ao bebê e introdução de substitutos de maior digestibilidade (absorção de nutrientes) e menos alergênicos.

O leite das ‘fórmulas’ ou mamadeiras, por ser o leite industrializado modificado, pode provocar entre outros quadros alergia à proteína do leite de origem animal (que não é a idêntica à do leita materno), provocando desde eczemas até quadros intensos de asma. Isto ocorre com mais frequência quanto mais cedo o bebê começa a ingerir o leite de mamadeiras. Por isso é preciso orientação correta e acompanhamento.

 

Desmame Precoce

Em paralelo a essa realidade, existem alguns problemas comuns que interrompem a amamentação contra a vontade da mãe, como a mastite (infecção das mamas), que leva ao desmame precoce devido à dor que provoca e ao risco de infecção ao bebê, e ainda quando os mamilos são mal formados, por falta da produção de leite, internações prolongadas da criança, volta da mãe ao trabalho ou depressão pós-parto.

Para os casos do desmame precoce, decorrente de algum problema com a mãe, existem vários estímulos para o leite não secar, como beber bastante líquido, manter uma alimentação saudável e fazer exercícios de massagem nos seios. Retirar o leite e insistir que o bebê pegue o peito também são estímulos, mesmo quando se tem apenas o colostro.

As mães devem respeitar os seis meses de amamentação indicados pela OMS, para proporcionar uma melhor saúde aos seus filhos. A Organização Mundial de Saúde preconiza o aleitamento materno do nascimento até o bebê completar seis meses. Depois deste período é possível oferecer outros alimentos, mas vale persistir no leite materno como única fonte de alimentação até o primeiro ano de idade. Em alguns casos, como em regiões mais pobres do planeta, a orientação é que o aleitamento materno seja estendido até os dois anos de idade.

 

Cartilha sobre amamentação e alimentação complementar

 shutterstock_166163945A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) disponibiliza em seu site uma cartilha sobre amamentação e alimentação saudáveis para os bebês, onde explica as vantagens, como amamentar e estimular uma maior produção de leite, como evitar o empedramento e como e quando deve ser feito o desmame, entre outras indicações importantes. Para ler na íntegra, acesse: http://bit.ly/2a5aY2f

 

 

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Férias também é tempo para o check up nas crianças http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2016/07/14/ferias-tambem-e-tempo-para-o-checkup-nas-criancas/ http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2016/07/14/ferias-tambem-e-tempo-para-o-checkup-nas-criancas/#respond Thu, 14 Jul 2016 16:43:26 +0000 http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/?p=366 FOTO BLOG PEDIATRA
Em julho, durante o recesso escolar, é importante que as crianças aproveitem o tempo livre para brincar, viajar e se divertir. Durante muitos anos de prática clínica, vejo que a atenção dos pais para o checkup infantil durante as férias tem crescido. E isso é bom: sinal de maior conscientização dos adultos para a atenção dos cuidados com a saúde dos filhos.

Agendar consultas médicas neste período tem algumas vantagens. Com mais tempo e a disponibilidade de horários das crianças e dos pais, uma avaliação mais detalhada pode exigir exames complementares, que com mais profundidade auxiliem um diagnóstico mais preciso. E, se for o caso, seguir algum tratamento mais específico.

Às vezes, é preciso recorrer a outros especialistas ou realizar exames laboratoriais e ainda remarcar o retorno ao pediatra. E tudo isso demanda tempo.

Por outro lado, casos corriqueiros, como intolerância a algum alimento, sinais na pele, dúvidas quanto ao crescimento ou ainda qualquer outra mudança física ou comportamental, poderão ser avaliados para eliminar certas preocupações naturais dos pais.

O tempo cada vez mais escasso e em um mundo que se torna mais dinâmico a cada dia, muitas vezes não permite olharmos com atenção às crianças. Por isso, vale a pena estabelecer uma agenda de cuidados médicos periódicos.

Lembre-se, serão apenas alguns dias durante as férias para planejar, ir ao médico e realizar todas as avaliações quando necessários. Enquanto que o maior tempo disponível será dedicado ao lazer e em aproveitar o free time com os pequenos, através de  brincadeiras, passeios e viagens, que são igualmente importantes para a saúde dos nossos filhos.

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Pais e educadores devem saber como prevenir a anafilaxia na escola http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2016/06/17/pais-e-educadores-devem-saber-como-prevenir-a-anafilaxia-na-escola/ http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2016/06/17/pais-e-educadores-devem-saber-como-prevenir-a-anafilaxia-na-escola/#respond Fri, 17 Jun 2016 16:44:05 +0000 http://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/?p=352 BLOGDOPEDIATRA

A anafilaxia é uma grave reação alérgica que pode levar o indivíduo a óbito, ocasionado em decorrência da ingestão de alimentos, picadas de insetos, materiais produzidos com látex ou medicamentos. A reação pode ocorrer dentro de um minuto ou horas após a exposição a um alérgeno. São muitos os fatores que podem provocar tanto alergia como anafilaxia. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os quadros alérgicos vêm aumentando em todo o mundo e 25% dos casos de mortalidade por reação anafilática ocorrem na escola.

Além da atenção dos pais, educadores e funcionários das escolas também precisam saber identificar os sintomas, uma vez que é o local onde crianças e adolescentes passam a maior parte do dia.

Os principais sintomas da anafilaxia são urticárias na pele, inchaço, coceira ou vermelhidão, rouquidão súbita, edemas labiais, problemas gastrointestinais, respiratórios ou cardiovasculares [queda de pressão]. A reação alérgica aguda é subestimada por não ter nenhuma notificação obrigatória, o que torna difícil a validação de sua prevalência. Contudo, alguns artigos científicos apontam, em torno, de 4 a 50 casos por 100 mil pessoas.

O diagnóstico da anafilaxia é clínico. Por isso, os pais, assim como profissionais da escola, professores, coordenadores, diretores e responsáveis pelo transporte escolar devem ter o prévio conhecimento se a criança é alérgica, para contribuir com o rápido atendimento médico. É importante que as escolas tenham nas fichas dos alunos os registros de antecedentes de todas as doenças, assim como alergias. Ao mesmo tempo, ter a listagem das substâncias alérgenas. Relacionado a isso, vale lembrar que no ano passado a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou uma Resolução que obriga a informação na rotulagem em 17 principais grupos de alimentos e bebidas.

Anafilaxia na escola

Se a reação alérgica acontecer no ambiente escolar, os responsáveis devem transferir o paciente com urgência para o posto de atendimento médico mais próximo, para garantir melhores possibilidades de sobrevivência. Habitualmente, são utilizados corticosteróides e derivados de adrenalina, mas tais medicamentos devem ser aplicados por via parenteral (injeção ou cateter nas veias periféricas) e na dosagem correta, que varia de acordo com o peso da criança e/ou do adolescente.

O medicamento não pode ser aplicado por qualquer pessoa; apenas por profissionais habilitados/treinados. Caso a escola tenha uma equipe treinada para o atendimento emergencial e monitoração da situação até a chegada de socorro médico, essa então deverá prestar os primeiros socorros, de acordo com os protocolos.

Ter conhecimento da reação alérgica dos alunos e equipe devidamente treinada para situações emergenciais dentro das escolas é de extrema importância para prevenir tragédias, que podem ocorrer mesmo sob muita vigilância.

Para prevenção de casos graves de anafilaxia, a SBP produziu um “Guia Prático” para escolas e pais, que pode ser conferido aqui.

Anafilaxia X Asma

Sendo um capítulo à parte, as crianças asmáticas merecem atenção redobrada dos pais e profissionais da escola, pois nestes casos a reação pode ser ainda mais grave e fatal.

Especialistas em Alergia e Imunologia Pediátrica da SBP entregaram no início deste ano um abaixo-assinado ao Ministério da Saúde solicitando a disponibilização imediata da adrenalina injetável para pacientes com predisposição à anafilaxia e/ou asmáticos, que correm riscos de crises fatais fora do ambiente hospitalar. Saiba mais sobre a solicitação da SBP ao Ministério da Saúde aqui.

 

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